Desbocada?

Daí me pego pensando nessa coisa do “se abrir” ao outro, durante uma conversa.

Nem sempre tenho pensamentos convencionais e…Ás vezes eu carrego nas tintas.

Há quem se assuste, há quem não entenda. Também há os que imaginam que eu “não devo estar muito bem”, rs. É que em certos círculos que frequento,  quanto mais tradicional for a forma de pensar (ou mostrar o que pensa), melhor.

Eu peço desculpas por qualquer pensamento inconveniente que eu possa ter despertado. Ou se o que eu disse fez um eco incômodo dentro de alguém. Mas voltar a ser quietinha, hum… Acho que não rola. Dica: lembre que algumas pessoas, depois de uma certa idade e, sobretudo, depois de certas coisas vividas, perdem a compostura. Ou o receio de dizer o que realmente pensa.

E isso é libertador.Imagem

 

 

O tempo sempre está ao nosso favor (ou sobre uma receita de pão de batata).

Com carinho, para Sayonara Linhares.

Fazer pão é coisa que gratifica a gente.  Se você  for adepto(a) dessas alquimiazinhas culinárias vai me entender. Me diz se não é mágico fazer um monte de farinha seca virar uma massa uniforme e pesada para, em seguida, virar algo fofo, cheiroso e acolhedor ? É quase como formar um outro ser, hehe.

Sendo neta de duas mulheres mestras na culinária,  sempre me fascinou vê-las manipulando farinha e transformando aquilo tudo em macarrão, bolo, pão….  Da admiração passei à prática, ainda bem novinha, porém… Como em qualquer arte, ter o domínio da técnica e conhecer os caprichos de cada elemento são dois aspectos que levam tempo.   Já queimei e solei muito bolo, embatumei generosamente alguns pães, até  que, com calma, foco e carinho fui compreendendo que manusear uma massa requer sensibilidade pra ouvi-la dizer: “mais água…”, “menos farinha…”. É sim. Massa fala. Pergunte a qualquer padeiro.

Mas vamos à receita.

Anos atrás tentei fazer pão de batata e me dei mal. Soquei farinha de trigo na batata e tudo ficou uma pedra (é, eu ainda não entendia bem a língua das massas😉 ). Tempos depois, nova tentativa e outro fracasso. Daí, provisoriamente, desisti.

Nesta semana visitei uma amiga muito amada. Generosa como poucos, essa amiga preparou um pãozinho de batata para alimentar a nossa tarde e ele estava divinamente saboroso, de uma fofura celestial. Enquanto ela me falava a receita, eu ia concluindo o quanto ela era fácil e, ao mesmo tempo, questionava a minha suposta incapacidade em fazer uma iguaria daquela.

Então, no outro dia, decidi que ia tentar novamente. Quase desisto ao ver que não tinha – nem na despensa, nem na geladeira – a quantidade exata dos ingredientes que havia na receita dela. Mas aí, confiando do meu pretenso know-how  culinário, encarei. Botei na panela 3 batatas, 1 grande e duas médias  (não sei que tipo elas eram). Cozinhei com casca e tudo pra preservar o sabor. Já cozidas, tirei a casca e espremi, no garfo mesmo.  Deixei amornar e, com esse purê quase frio, agreguei 2 ovos*, meio tablete da boa manteiga Aviação (era a que tinha em casa) e uma pitadinha sem-vergonha de sal.

Numa outra vasilha misturei 1 envelope de fermento biológico em pó com 5 colheres de açúcar demerara*. Só misturei, ele não dissolveu (se vc usar o refinado ele dissolve, mas açúcar refinado não entra mais na minha casa há algum tempo). Joguei na mistura de batatas e mexi com fé.

Eu trabalho a massa dos pães que faço na mesa da cozinha, e foi lá que fiz um montinho com farinha de trigo com aproximadamente 2 xícaras. Queria fazer com farinha integral, mas preferi não arriscar dessa vez. Deitei o purezão sobre a farinha e, com a ajuda de uma espátula e da outra mão, fui revolvendo a massa de baixo para cima, que é pra ela pegar a farinha direitinho, sem ficar assim… muito seca.  Não precisa sovar. Só ‘secar’ a massa, como eu digo. E ela ‘seca’ rápido, não gruda na mesa. Usei, ao todo, umas 4 xícaras de farinha de trigo, agregadas aos poucos… (lembra do que eu disse lá em cima, né? Tem que saber ‘ouvir’ quando a massa pede farinha, quando não pede…).

Modelei umas 3 vezes de formas diferentes até ficar do jeito que considerei bom.  Coloquei numa forma média, retangular, dessas de bolo. Salpiquei gergelim por cima (invenção minha) e guardei no forno  desligado para crescer. Ah, dica:  gosto de fazer meus pães crescerem ao sol, cobertos por um pano. Mas nem sempre tenho sol ou calor. Então pré-aqueço o forno e, enquanto misturo a massa, deixo ele esquentar. Desligo 1 ou 2 minutinhos antes de levar o pão para crescer. Com aquele calorzinho ele cresce que é uma beleza e não leva nem 1 hora pra ficar todo inchadão.

Bom, aí vocês já sabem, né? Cresceu, pré-aqueci o forno (de novo, mas agora é pra assar) esperei ficar quentinho e coloquei o bonitinho lá dentro. Assou por uns 20 minutos e ficou douradinho, sem precisar pincelar gema batida por cima.

Marido passou um café, cortamos aquela pecaminosidade fofa, dourada, quente e fomos ser felizes. Eu mais ainda, pelo pão ter dado certo depois das tristes experiências anteriores. Então eu penso que certas coisas na vida da gente fluem da mesma forma como foi fazer este pão:  dar tempo ao tempo e enquanto isso, experimentar as coisas que o mundo oferece, observando e aprendendo algo com elas. Quando aprendi a fazer pão, conseguia manusear bem a farinha de trigo, mas não o suficiente para misturá-la a um elemento como a batata. Inexperiente, colocava farinha de mais ou de menos e estragava a receita. Foi ao passar por outras vivências culinárias que apurei meu entendimento sobre a química que existe entre os alimentos e assim dessa vez, mesmo sem seguir a receita à risca, consegui fazer um belo pão.

Ou seja…. Tudo é questão de tempo e conhecimento.

Um pedacinho dele, ainda quentinho.(Desculpem o amadorismo da fotógrafa aqui, mas juro que vou aprender a tirar foto de comida.)

* Ambos orgânicos.

É só incompatibilidade.

Ás vezes, certas pessoas são tão sutis em demonstrar que não desejam a sua companhia, que a gente chega a pensar que estão passando por problemas. Explicam muito, dão rebuscadas desculpas… Tudo lero-lero.  Pois eis que vos liberto, poupem-se desse trabalho!  Em relação à minha pessoa, acreditem: eu entendo perfeitamente os motivos que levam vocês a não desejarem dividir o mesmo espaço que eu, pois tirando um ou outro fato irrelevante que nos aproxima, não temos nada em comum.  Não vamos nos forçar…  Além disso, lido muito mal com relacionamentos de conveniência. Nada a ver com desgostar de você ou você de mim, mas partilhar fatos da minha vida com alguém, só se der química e eu me enxergar no outro, de alguma forma. E isso não rola entre a gente, certo?

Sendo assim, estamos quites.

Festa de criança à moda antiga.

Outro dia fui a um aniversário de criança,  comemorado num desses buffets especializados em festas para a garotada. Tudo bem colorido, mas bem colorido mesmo, meio psicodélico até. Logo que você chega vem alguém do tal buffet receber o presente pelo aniversariante. Acho estranho essa coisa de não entregar o presente ao dono da festa… Eu tinha comprado algo que era a carinha dele e estava ansiosa pra ver sua reação. Enfim, tive que deixá-lo nas mãos da recepcionista, que mal escreveu o meu nome no pacote e o jogou dentro de uma espécie de baú junto com outros. Bem… Acomodada numa mesa, diante de um prato cheio de salgadinhos oleosos, reabastecido pontualmente por uma garçonete que não devia ter mais que 20 anos e se encontrava bem esbaforida, tentei me entreter com o ambiente. As crianças ficavam de um lado, dispersando-se entre  as atrações daquela mega produção: piscinas de bolinhas, discoteca, vídeo games e etc, etc e etc. Os adultos sorviam a cervejinha, uns poucos olhando seus rebentos (ou fazendo de conta que). Aquilo… Cada um no seu quadrado.

Lembrei das festas feitas em casa, quando eu era criança. Foi saudosismo o que senti.

Meu aniversário de 2 anos.

Aquelas festas,  feitas em casa tinham outra energia. Eram mais acolhedoras. Podiam não ter uma decoração temática tão efusiva como as festas de hoje. Geralmente, só o bolo tinha “tema” e era restrito: florzinha, castelo de princesa, palhaço, carrinho… Podiam não ter piscina de bolinha, mas não deixavam nem um pouco a desejar na diversão.

O bolo era feito por alguém da família, com talento para tal ou, no máximo, por uma boleira conhecida da família. Ok, tinha aquele glacê de gordura vegetal e açúcar indigesto, mas a gente tirava e comia o recheio de doce-de-leite. Decoração era balão (bexiga, na minha terra) e arrumado em grupos de 4 ou 5 espalhados pela sala e só. Escultura de balão não tinha. Mas tinha uma faixa de cartões onde se lia “Feliz Aniversário” em letras coloridas.  Na mesa  do bolo, bandejinhas de brigadeiro, beijinho e olho de sogra, às vezes cajuzinho. Nos cantos da mesa, ficava a repolhuda bandeja de 2 andares sustentando uma linda e farta cascata de balas de côco embrulhadas em papel colorido.  Copinhos, pratinhos e chapeuzinhos, todos de papelão e nem tinha ainda essa moda ecológica. Aliás, os chapeuzinhos tinham um elástico que incomodava a ‘papada’ da gente.  Alguns vinham com figuras infantis, para menino ou menina, mas a maioria era só colorida mesmo.

Nossa… Agora me lembrei de uns enfeites para as garrafinhas de guaraná. Língua de sogra… Por que tiraram as línguas de sogra dos aniversários? As guloseimas não eram variadas, mas faziam sucesso: sanduíches com patê, maionese no copinho ou na barquete, aquela batatinhas redondinhas mergulhadas num molhinho vinagrete, canudinho, casquinha de pão torrada…. Coxinha, risóles de Catupiry, kibezinhos, bah… Isso veio com força depois, bem depois, no início da adolescência, se me lembro bem.

Se houvesse algum adulto com inclinação para recreacionista, ótimo! O entretenimento da garotada ficava por conta dele! Na ausência dessa figura a gente brincava com o que tinha. Lembro que uma vez fui à uma festa de uma amiga da escola e nessa festa tinha um mágico. Achei maravilhoso ter uma festa com mágico!  Passei a desejar um mágico também nos meus aniversários. Só fiquei no desejo…

Receber o presente das mãos do convidado era uma atitude obrigatória para mostrar aos outros a boa educação que eu recebia. Abria o pacote na frente do conviva e dizia “obrigada”, sorrindo.  Mesmo se fosse roupa – como uma criança normal, eu odiava ganhar roupa. Aliás, fazia parte da cena passar pelo constrangimento de ter a mãe sobrepondo a roupa sobre o seu corpo pra ver se servia, hehe. Mas estava tudo certo, desde pequeno a gente aprende que na vida é preciso relevar certas coisas em nome da boa convivência social.

É claro que sei das demandas urgentes que a vida atual nos traz,  e que faz pais e mães caçarem um meio de poupar trabalho na hora de festejar mais um aninho de vida de seu pimpolho. Entendo, porque eu mesma já me vi nessa situação 3 vezes.  Ter quem faça a festa por nós é super confortável, afinal, são horas do dia poupadas em não ter que fazer a massa dos brigadeiros, rearrumar a geladeira para caber as bebidas (ou encher o tanque de gelo para acomodar as que não couberam no refrigerador). Também é bom não ter a boca assada de tanto encher balão, fazer saquinho de lembrancinha…. Mas vai dizer se toda essa preparação não era o melhor da festa?

Também acho que a festa em casa, além de sair mais barata para os pais, mostra à criança outros valores. Se ela ajudar a preparar a festinha, enrolando os brigadeiros, por exemplo, entende a importância de colaborar. Receber os amiguinhos dentro de casa, aprende a partilhar e a ter responsabilidade.  Aí o evento ganha outro sentido, percebe?  E ela (a criança) não vai deixar de ser a estrelinha do dia.😉

PS: Tirando a primeira foto (arquivo pessoal) as outras duas imagens vieram deste site, que vende acessórios lindinhos pra fazer festinha em casa. Olha só: http://parangolefestas.blogspot.com.br .