A culpa é da pipoca.

E aí… Tem ido ao cinema?

Vocês se lembram de uma época onde ir ao cinema era programa pra fazer quando o dinheiro estava curto?

Eu me lembro e olha que ainda não sou velha.

Hoje, um casal não gasta menos que 50 pilas pra ver um filminho na telona. Se for em 3D acrescente mais uns 15, 20 reais. E ainda tem devolver aqueles óculos desconfortáveis no fim do filme. Pô, não seria melhor a gente ficar com eles? Uma parte do ingresso que eu pago é para cobrir o valor deles, não é? Então… Se todo mundo tivesse o seu, o ingresso podia ficar mais barato! (fora que é meio nojento usar óculos que outra pessoa usou, vai que tem ‘sebinho’ alheio nos aros?)

Tá certo que os cinemas ficaram mais bonitões, pomposos, a cadeira é maior, reclina mais, quase não temos mais o problema de uma cabeça grande atrapalhar a gente – salvo exceções. Tem lugar pra apoiar o copo de 500ml de Coca-Cola sem gás e cheia de gelo (acho que esse detalhe do apoio tem parte na alta do preço do ingresso). Eu lembro que na minha adolescência, quando ia ao cinema, botava a lata de refri entre as pernas ou ficava segurando até o final do filme, em cima do braço da cadeira. Se não tivesse ninguém sentado ao lado, claro, senão ia ter disputa. A pipoca eu comprava no tio que ficava na calçada, ou na bombonière do cinema (ai, acho ‘bombonière’ um termo tão chique, tão vintage…). E ainda tinha o drops Dulcora.

Falando na pipoca, achei um gráfico interessante. Bisóia:

Né?

Me diga você: por que a pipoca do cinema é tão cara?
Estou pensando em investigar a procedência do milho usado nessas pipocas, ou saber se o pipoqueiro desses Cinemarks da vida fez MBA pra encontrar o ponto certo da temperatura que faz o milho estourar. Sério. Preciso saber se existe algo que justifique um pacotinho de 200gr custar R$ 6,00. Eu compro 500gr de pipoca por R$ 2,50 ! E da boa!

Definitivamente, a pipoca inflaciona o meu cinema. De 20 reais que eu gastaria na compra de dois ingressos, acabo gastando 40 por causa dos tais kits “combos” (acho essa palavra de um pedantismo preguiçoso que só!).

Aí você me fala: “- Não compra a pipoca, simples assim!”.

Tá. Você está certo. Se eu fosse completamente alheia ao que acontece ao meu redor passaria por ela de boa. Mas os cinemas cheiram pipoca e eu não resisto ao cheiro dela. Passar na frente do balcão e ve-las saltitar alegremente na minha frente, quentinhas e umedecidas de manteiga, é uma putafaltadesacanagem com a minha gulodice. É, e eu tenho o olho maior que a barriga. E o que dizer do barulho que o povo faz comendo do lado-frente-atrás de você? Ah, torturante, nem vem.


E junto com a pipoca vem o copo de 500ml de refrigerante. Ou de 700ml. Ou mais. Falta pouco p/ começar a oferecer pets de 2 litros. Tudo sem gás e com muito gelo picado como eu já disse antes, do jeito que tem de ser um refri de cinema bonzinho. Porque a pipoca é salgada e a língua começa a pinicar e a garganta a secar e vc quer água Coca-Cola!

De vez em quando o cinema oferece brinde na compra do tais ‘kits combo’ (argh…). Pode ser uma garrafinha plástica daquelas que a gente leva pra fazer caminhada (e custa 1,99 na 25 de março), ou um lindo balde – transbordando de pipoca cara – com a imagem do filme que oferece a ‘promoção’.

Daí que essas ‘promoções’ fazem vc achar que até vale a pena pagar mais caro no ‘kit combo’ afinal, depois você leva pra casa a garrafinha ou o balde e deixa eles lá, no armário, de recordação. Uma vez ganhei um balde desses e nele vinha a imagem daquele boneco assassino, o Chucky. Acabada a pipoca vi que não tinha lixeira que comportasse o tamanho do balde, além disso marido quis o balde (homens…). E assim, eis que essa que vos escreve foi vista desfilando lindamente pelo shopping segurando aquele ‘brinde’ de bom gosto. Nem preciso dizer que ao chegar em casa escondi o treco no armário pra marido esquecer do bendito, até o dia em que o balde ‘misteriosamente’ sumiu. Chucky veio resgatá-lo, hehehehe…

Não, eu não posso continuar me submetendo à essa prática e preciso pensar num estratégia que me faça ignorar a pipoca do cinema. Quem sabe um pacote de Doritos (adoro Doritos). Uma barra de cereal (ahn???Quem eu quero enganar?). Quem sabe arranjar um emprego que me pague bem e não me faça reclamar do preço da mardita?

Ah, essa vida proletária…

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Vá.

Sem vídeos do trailer do filme, sem imagens, sem nada. Apenas uma sugestão: assista o filme-biografia sobre a vida de Chico Xavier.

Ao ver a plateia muda e altamente comovida após o término do filme, com as luzes da sala já acesas, tive a prova de quanto este filme nos faz pensar. Sobre Deus, sobre a vida, sobre ‘verdades’ e sobre nós mesmos.

Programinha para depois de amanhã.

Quarta feira é depois de amanhã, dia em que cinema, na maioria das cidades, tá mais baratim. Minha dica pra você fazer valer o seu ingresso é ‘Amor sem escalas’, com o George Clooney.

Olha, não sou crítica de cinema, estou muito longe disso. Mas, na minha humilde opinião, os últimos filmes lançados pela indústria americana não tem valido o ingresso. Muita parafernália, efeito especial, enredo bobo e infantil, tudo muito previsível e enfadonho. Pois ‘Amor sem escalas’ vem para dar uma respirada nisso tudo. Um filme envolvente, real, onde as atitudes das personagens são facilmente reconhecidas pelo espectador. Não é uma comédia, está mais para um drama, embora tenha pitadas de um – ótimo – humor. Homens e mulheres vão gostar. É um filme maduro. O final me fez ficar mais tempo sentada na poltrona do cinema, pensando sobre o que tinha acabado de ver.

Eis algumas cenas. Ah, o trailer não faz jus ao filme, fato.

E como eu disse antes… Ainda tem o George Clooney.