Das expectativas frustradas (e algum jeito de supera-las).

Então que hoje resolvi fazer um bolinho de milho. O frio gélido já chegou nessas terras gaúchas e com ele o desespero vespertino de mandar pra dentro do corpo algo gostoso, docinho e reconfortante. Apesar dos vários livros e fichários de receitas que tenho aqui em casa, fui buscar outras variações do tema na internet. Olhei os sites de culinária que confio, (como este e este) e, toda pimpona, fui pra cozinha.

Ingredientes separados, concentração total, começo o preparo. Tudo certo, receita fácil e rápida. Ponho a mistura pra assar e em pouco tempo a casa ganha aquele aroma de bolo assando. Abro o forno e vejo se já está pronto. O palito sai limpo, espero esfriar um pouco e desenformo. Estranho, ele está meio pesado… Ainda morninho tiro um pedaço e ao cortar, noto que partes da massa ficaram encruadas. O sabor está bom, mas a textura e a leveza ficaram muito a desejar. Chato. E tinha tanto tempo que isso não me acontecia….

Lavando a louça logo em seguida, com a cabeça pensando mil coisas enquanto esfregava a panela aqui e enxaguava ali, acabei fazendo uma relação do meu insucesso culinário com a vida. Nas coisas pelas quais a gente se entrega empolgadamente, separa tudo o que é necessário pra faze-las acontecer e simplesmente elas não acontecem. Ou acontecem de um jeito meio ‘torto’.  Desandam, como o meu bolo.

Aí voltei a pensar no dito cujo … O que vou fazer com toda aquela massa assada? Não tenho coragem de joga-la fora, usei ingredientes bons, de primeira qualidade… Então cortei o bolo todo em fatias, mais ou menos finas, arrumei-as numa assadeira e fiz torradas doces de milho. Com uma manteiguinha em cima ficaram uma perdição!

Reinventar.

Essa foi a palavra do dia.

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O tempo e a cura das coisas.


A vida inteira ouvi que o tempo curava tudo.

Eu acreditava nisso. Melhor, eu queria acreditar. Porque sempre que abria a boca pra reforçar este “dito” popular, era como se algo me alertasse: “veja lá o que vai dizer”. Mas eu não dava bola e dizia assim mesmo.

Hoje eu me permito refazer essa frase.

O tempo não cura tudo. Certas coisas o tempo só dilui, dissipa (a saudade, a rejeição, a dor…). O tempo abafa, coloca outras coisas por cima, desvia a nossa atenção daquilo que faz a gente sofrer, traz as compensações…. E assim vamos vivendo. Assim vamos aprendendo. Assim se torna possível viver outras experiências, ver graça na vida.

Se possível, me traga a sua visão sobre isso….