Do cotidiano para o palco

Desenvolver uma obra de alto nível artístico a partir das coisas simples, comuns e despercebidas no cotidiano. O trabalho de Ivaldo Bertazzo parte deste pressuposto: de algo aparentemente tão simples (simples nada, levamos séculos para adquirir esse refinamento gestual), brota um dançarino, um tradutor de emoções… Pode ser você, eu, nossos vizinhos, a moça do café…

Vale muito a pena ver. Aproveita que hoje é sábado e vc está com tempo.

Gente grande também gosta de colo.

Semaninha começando…. 6 dias aí pela frente, novinhos, esperando pelas suas ações. Pode ser que a vida não esteja assim, do jeitim que você queria que ela estivesse, mas está aí, pulsando… Dentro e fora de você.

Noutro dia, escutei de algumas pessoas (justamente as quais gosto demais) tristes palavras de desânimo e cansaço. Lamentavam a vida, as pessoas que tinham ao redor, o trabalho ou a falta dele. Eu também lamento muita coisa, às vezes sou muito insatisfeita e dramática. Não sei ficar quieta quando estou sofrendo, seja grande ou pequena a minha dor. E verbalizar sobre o que a gente sente faz bem, faz entender melhor o que acontece, faz a gente se ‘ver’ pelas palavras.

Mas voltando àquelas pessoas. Enquanto me falavam eu ia sentindo uma vontade grande de pega-las no colo, de fazer-lhes um carinho no cabelo… Ás vezes, o real motivo da lamentação reside na necessidade disso: afago, colo. Esses atos são importantes em qualquer fase da nossa vida. Sabe por quê? Porque o afago do outro sobre a nossa pele é sinal de aceitação. É como dizer: “eu te endendo e olha, tudo vai passar”. Que nem mãe faz no fiho quando ele cai e se machuca. Um pouco de colo, de beijinho, de afago e pronto. Tudo já passou, ou no mínimo vai doer menos. É um ato que traz calmaria, apazigua a revolta.

O toque é necessário p/ a nossa saúde mental. É o corpo curando com as palavras que a nossa boca ainda não sabe dizer.

Exprimenta isso. Se alguém vier fazer ‘chororô’ pra você durante esta semana, ofereça seu colo, suas mãos num afago. Sobretudo àquelas que estiverem demonstrando maior fragilidade. Podem estar precisando apenas disso: aceitação.

A gente precisa ter mais carinho com o outro. Porque, lá no fundo, gostando ou não, somos todos interdependentes.

Boa semana e um abraço gostoso em você.

Curvas não.

Minha talentosa colega Shaide Halim trouxe em seu blog a notícia sobre a censura que sofreu um comercial americano de lingeries para mulheres gordinhas. Achei necessário divulgar essa notícia também aqui, afinal, já passou da hora da sociedade (entenda-se cabeças da moda e mídia) rever os conceitos e regras que estipula para os corpos femininos, se é que tais ‘mandos e desmandos’ deveriam existir.

O comercial censurado pelas emissoras FOX e ABC é este:

O pretexto para a tal censura foi a alegação de que a propaganda revelava ‘demais’ o corpo da modelo (lindíssima como puderam ver) e exibia uma sensualidade excessiva. A verdade nós já sabemos: as curvas da bela modelo foge dos padrões mercadológicos instituídos pela indústria da moda(e reforçada pela mídia), que exigem um corpo feminino esquálido, notadamente, muito distante da realidade da maioria das mulheres.

Ficam as perguntas:

– E se fosse uma modelo magra?
– Por que é tão forte esta ‘campanha’ que nega as formas naturais do corpo feminino?
– E por que negar essa formas? O que há nelas que incomodam tanto?
– Quando a mentalidade irá evoluir?

Sério isso.

O corpo tem suas razões

Este é o título de um dos livros recomendados na especialização em Psicomotricidade. Foi um dos livros mais importantes e interessantes que li na minha vida, sem exagero.

Exercer a atividade de professora de dança é ter contato e saber lidar com as expectativas, inseguranças e desejos existentes no corpo do aluno. E quando digo corpo, não me refiro à tronco e membros. Já passou da hora de colocarmos abaixo esse discurso que separa a mente do corpo. A mente está no corpo, guardada num órgão chamado cérebro. Mas tudo é corpo.

Cada corpo tem uma história. E ela começa no ventre materno. Desde esse momento até o ‘agora’, você passou por milhares de experências corporais que foram, pouco a pouco, constituindo a sua forma de pensar, de agir e reagir, se tornando as razões dos seus medos, dos seus bloqueios, da sua confiança e, por fim, da sua autoestima. E é por isso que ao se trabalhar com o corpo do outro é necessário pedir licença. Nunca se sabe que histórias aquele corpo viveu.

Já parou pra pensar na forma como você se movimenta? Se fizesse uma primeira análise, superficial, como você nomearia sua forma de se movimentar? Economiza nos gestos, na força? É lenta? Ou rápida, vigorosa? É ampla, vez ou outra derruba as coisas ao seu redor? Ou contida? Introspecta, como se tivese medo de se machucar? Ou é chamativa, atrai olhares?

Isso tem a ver com a forma pela qual as vivências corporais influenciaram o psiquismo e ajudaram a configura-lo da forma como é.

Na maioria dos casos, somos educados a pensar no corpo de um maneira fragmentada. Braço é uma coisa, que não tem nada a ver com a barriga, que não tem nada a ver com o joelho e por aí afora. Exemplo: trata-se de uma prisão de ventre como se estivesse no aparelho digestivo a única causa para a mesma.

Vejamos: o ventre é o centro de gravidade de corpo, certo? É nessa região que o alimento é metabolizado e vira energia, foi o nosso primeiro contato com a vida através do cordão umbilical. Núcleo da digestão, do processamento, da eliminação… Já pensou na relação que existe entre o funcionamento desse sistema e as suas emoções? Os medos escondidos, os fatos mal explicados, não digeridos, as mágoas guardadas… Bem, como disse, isto é só um exemplo. É só pra fazer você pensar.

Nosso corpo é nossa casa e da nossa casa devemos ter o controle. Não ter o controle de casa corrói a confiança em nós mesmos. Desejar uma coisa e não te-la faz nascer o sentimento da compensação. E o resto da história vocês já sabem.

Esse pequeno texto dá gancho p/ muitas conversas sobre corpo, emoção, movimento e vida. Volto a falar sobre esse tema, prometo. Por enquanto, quero apenas alertar aos que trabalham com dança ou qualquer outra atividade que implique em expressão corporal. A pessoa que vem até você, procurando uma atividade para se ‘desestressar’, ocupar o tempo livre ou emagrecer tem uma história registrada no seu corpo. Nem sempre essa história está clara, e em muitos trechos, seu conteúdo está lacrado. Não é a sua tarefa desvendar essa história. Essa é uma caminhada individual, no qual a sua interferência pode ajudar essa caminhada a ser mais rápida. Sugiro, portanto, que acolha este corpo e que o ajude, na medida do seu conhecimento e preparo de professor(a), a ser mais livre.

Para quem se intressou pelo o que o livro tem a dizer, aqui vão as informaçõe sobre ele:

O corpo tem suas razões (Antiginástica e a consciência de si)

Thérese Bertherat / Carol Berstein
Martins Fontes

Beijins nas bochechas.