Eu e a cidade das andorinhas.

Que coisa mais estranha é a relação com minha cidade natal, depois de estar vivendo longe dela há pouco mais de 12 anos… Vejo-a como um brinquedo muito querido, extremamente estimado, o preferido de todos. Viro, remexo, exploro seus cantinhos que me fazem caminhar por lembranças de uma fase da vida onde eu achava, ingenuamente, que as coisas já estavam determinadas. Mas como é um brinquedo, depois de ter matado a saudade, guardo-o. Ele já não tem a ver com o que vivo hoje. Mas ainda assim, eu o amo.

Reflexão de aniversário.

“Me cansei de lero-lero
Dá licença mas eu vou sair do sério!
Quero mais saúde!
Me cansei de escutar opiniões
de como ter um mundo melhor.
Mas ninguém sai de cima, nesse chove não molha,
eu sei que agora eu vou é cuidar mais de mim!”

(Saúde – Rita Lee e Roberto de Carvalho)

Então é isso: hoje emplaco idade nova. Turbino o motor. Agora são 3.8 cavalos de potência.

Vou passar o dia com minha filha, vamos almoçar num lugar legal, quem sabe me dou de presente uma massagem caprichada, com pedras quentes, óleos aromáticos, huum… Tô bem precisada.

É estranho me ver com 38 anos. Me olho no espelho e não vejo a ‘senhora’ que eu achava que seria. Nem na cabeça, ainda tenho ideias fervilhando na mente, uma sede de vida como a que tinha aos 17, 18 anos. Acho que ainda sou meio pateta. Mas também acho que estou melhor hoje do que há 10 anos. Tudo bem que nessas quase 4 décadas de vida, nem tudo aconteceu como eu queria, mas enfim, deve ter tido algum motivo para tal. Aliás, alguns dos motivos eu já entendo. Mas sou inconformada, sabe… Por isso ainda corro atrás de um monte de coisa.

Eu quero paz, em todos os sentidos e de todas as formas, sobretudo para as coisas que me fazem o coração acelerar de um jeito que não é muito bom. Quero rever algumas pessoas e conversar longamente com elas… Quero ver quem eu amo feliz e cheio de saúde. Quero continuar sendo útil e quando eu já não mais for, que eu vá sem demora para outro plano.

Gosto de estar mais madura e ter mandado embora as nóias dos meus 22, 23 anos… É bom ser mais sabida, a gente não desperdiça energia. Mas de vez em quando… Ah, de vez em quando eu tenho uma gana de fazer umas travessuras, umas doidices meio ridículas, meio sem noção. Tudo por causa de uma garotinha que habita a minha mente (ou seria o coração? Ah, tanto faz!). Ela corre pelos corredores das minhas lembranças, dos meus afetos e a despeito de quanto tempo tenha esse corpo que escreve a vocês agora, vira e mexe abre as gavetas dos meus sonhos, bagunça o meu juízo e manda para o beleléu a minha pose de bem comportada. Claro que como a adulta da relação sou eu, logo a mando sentar e ficar quietinha. Mas sabe como é criança curiosa, o sossego dura pouco.

E à essa garotinha eu nego, terminantemente, a crescer.