Mudei e voltei

Muita coisa se passou na minha vida desde a última vez em que escrevi aqui… A vida mudou 180º. Estou mais velha, algumas cicatrizes emocionais, aprendi um tantim de coisas que não sabia desde último post, ri, chorei, fiz novos amigos, vi outros se afastarem, me surpreendi positivamente com alguns e negativamente com outros. Assim como você que está lendo e também deve ter passado pelas mesmas coisas nos últimos 2 anos.

O que é a vida? Eu penso que ela seja uma pomposa escola que  nos presenteia todos os dias com  um conjunto de lições e algumas pausas para o recreio. Tem lição que se aprende rápido e sem consulta, mas tem lição onde só com a ajuda de quem é mais experiente (ou esperto) que a gente pra poder entender.

Tem essa definição aqui também:desatar-mos

Tenho repensado minhas convicções. Aquilo que tinha como verdade inabalável. Aliás, que bobagem isso, não existem verdades inabaláveis. Nossas “verdades” são constatações momentâneas e seu prazo de validade dura até que aconteça algo que confronte o que elas diziam. Ou teimavam.

Atualmente, a senhora Dona Escola deu-me uma liçãozona pra fazer… Eu me assustei quando recebi a tarefa, achei que não ia ser capaz de realizá-la. Mas acho que estou dando conta. Ainda não acabei. Nem na metade dela eu cheguei. Tem hora que empaco num exercício e fico um tempão pra sair dele. Liçãozinha complexa, tá exigindo bastante de mim.

Vou falar sobre ela no próximo post.

 

 

 

Conta-gotas.

Marilyn secando os cachos.

 

* Fui ver o filme “Sete dias com Marilyn”  e mergulhei na história.  Certos filmes fazem eco dentro da gente, mesmo quando não temos 1 décimo do glamour retratado neles.

* Preciso me acostumar a dormir cedo. Não há condições de fazer qualquer atividade física com um corpo que pede cama. E preciso fazer atividade física. Mas a mente ainda não se convenceu, apesar de saber.

* Eu tento – e até consigo – conviver com o sistema de pessoas de vida ‘normal’.  Mas minha tribo é aquela que dança, que canta, que  tem no palco seu porto seguro. Ontem eu estive com eles, brindando o fim do dia e o início da noite ao som das notas orientais. E ainda teve uma lua linda…

* Tem um lugar nessa terra que se chama ‘Vale dos Vinhedos’, e fica na serra. Sabe a história de um paraíso chamado Xangri-lá? Então. tenho certeza de que foi escrita ali.

* Tem um livro que eu adoro e que diz que as amizades são conexões imperfeitas. E não é que é isso mesmo?

* Facebook é pior que novela, porque aliena mais. As pessoas passam a fazer coisas pra depois ter o que dizer por lá. Tiram fotos pensando em postar lá. Enchem o saco dando satisfação do que fazem da vida, onde estão, o que comem e o que vão fazer daqui a dois minutos. Como se mundo quisesse saber.  Coisa jeca.  Fica aquele numerozinho aparecendo, na janela minimizada, dizendo que tem atualização pra você.  Atrapalha todo o meu trabalho no Word. Saco.

* Estou sendo irônica no item acima. 😉

* Informação que tive numa aula sobre vinhos e espumantes : quando mais e menores bolhas tiverem o seu espumante, de melhor qualidade ele será.

* Eu não deveria, mas ainda me chateio essa coisa de gente dizer que é minha amiga mas não me responde quando eu chamo. Elas pensam que eu não percebo a sua falta de atenção. Só porque eu sorrio para elas. Sou uma besta mesmo.

* Julguem-me, mas eu adoro a Madonna, por ‘n’ motivos. Mas este último cd… tsc, tsc, tsc…. Ela está ficando preguiçosa.

* Hoje eu tive um sonho no qual para sair de uma casa eu precisava caminhar por espumas bem altas (era booom…) e o meu carro cabia na minha mão.  Um garoto de seus 12, 13 anos abria o portão de madeira para eu sair dessa casa. E eu ranhetava com ele. Significa?

* Aliás, já é a segunda vez que sonho com casa em 4 dias. Olha o meu ego falando com o meu inconsciente.

 

Agora deu. Vou lá ver o que a vida quer.

 

 

Samba de roda é feito pra gente sorrir.

Hoje venho contar a vocês uma coisinha…
Certas coisas são muito difíceis de descrever, mesmo que a gente domine bem a regência das palavras.
Há poucos anos, quando ainda morava em Salvador, fiz uma oficina de danças folclóricas do norte e nordeste, e dentre essas danças havia a delícia do samba de roda do recôncavo baiano.
Quem deu essa parte da oficina foi um grupo de baianas da cidade de Saubara, uma cidade do interior da Bahia. Senhoras alegres, fartas em todos os sentidos e bem sérias na hora de passar os conhecimentos e a cultura de sua gente.
Ensinaram “à gente da cidade grande” o molejo sossegado e compassado desse tipo de samba. E  “a gente da cidade grande” teve mesmo que rebolar pra fazer aquela simplicidade de movimento. É porque coisa simples é assim mesmo, tem manhas e segredinhos pra ser entendida em sua plena verdade.
Tenho saudade dessa vivência e de vez em quando escuto uma leva de samba de roda, resgato os passos que aprendi, mas ainda sem a competência e naturalidade daquelas senhoras.  Recentemente encontrei um vídeo da Mariene de Castro, minha cantora baiana preferida (e que todo mundo deveria ouvir, pelo menos, 1 vez na vida), que mostra um pedacinho de um show que ela fez no TCA – Teatro Castro Alves, um dos mais lindos altares da Arte que já conheci. Então… Nessa ‘palhinha’ achada na internet tem Mariene cantando lindamente um pout-pourri dos mais alegres sambas de roda que existem, “a bordo” de um pratinho e uma faca, o tal do instrumento improvisado nos terreiros de samba do recôncavo. Também está lá a energia leve e colorida do samba de roda, e de sua gente sorridente. Foi irresistível vir aqui e mostrar isso pra você.

Escuta essa voz, sente esse ritmo, observa esse arrastar de pés e o balanço do corpo… Também não se acanhe se o seu corpo responder ao som. Deixa vir, que isso alegra a alma, colore a vida.

Com vocês: Mariene, as baianas e o samba de roda.

 

 

Das expectativas frustradas (e algum jeito de supera-las).

Então que hoje resolvi fazer um bolinho de milho. O frio gélido já chegou nessas terras gaúchas e com ele o desespero vespertino de mandar pra dentro do corpo algo gostoso, docinho e reconfortante. Apesar dos vários livros e fichários de receitas que tenho aqui em casa, fui buscar outras variações do tema na internet. Olhei os sites de culinária que confio, (como este e este) e, toda pimpona, fui pra cozinha.

Ingredientes separados, concentração total, começo o preparo. Tudo certo, receita fácil e rápida. Ponho a mistura pra assar e em pouco tempo a casa ganha aquele aroma de bolo assando. Abro o forno e vejo se já está pronto. O palito sai limpo, espero esfriar um pouco e desenformo. Estranho, ele está meio pesado… Ainda morninho tiro um pedaço e ao cortar, noto que partes da massa ficaram encruadas. O sabor está bom, mas a textura e a leveza ficaram muito a desejar. Chato. E tinha tanto tempo que isso não me acontecia….

Lavando a louça logo em seguida, com a cabeça pensando mil coisas enquanto esfregava a panela aqui e enxaguava ali, acabei fazendo uma relação do meu insucesso culinário com a vida. Nas coisas pelas quais a gente se entrega empolgadamente, separa tudo o que é necessário pra faze-las acontecer e simplesmente elas não acontecem. Ou acontecem de um jeito meio ‘torto’.  Desandam, como o meu bolo.

Aí voltei a pensar no dito cujo … O que vou fazer com toda aquela massa assada? Não tenho coragem de joga-la fora, usei ingredientes bons, de primeira qualidade… Então cortei o bolo todo em fatias, mais ou menos finas, arrumei-as numa assadeira e fiz torradas doces de milho. Com uma manteiguinha em cima ficaram uma perdição!

Reinventar.

Essa foi a palavra do dia.

E éramos todos coloridos (ou o início da adolescência nas festinhas dos anos 80)

Durante toda a minha adolescência morei num condomínio.  O “parque”, como era conhecido, era é imenso, com muita rua e árvore pra molecada se espalhar. E quanta molecada havia ali! Sempre fazendo barulho, gritando, devia ser um inferno para quem quisesse um pouco de sossego, fosse para trabalhar ou dormir. Mas, como eu fazia parte da molecada, não estava nem um pouco preocupada com isso e seguia fazendo barulho também.

Foi nesse condomínio que finalizei minha infância me juntando à essa molecada para as últimas brincadeiras de menina: andar de patins (emprestado, porque eu não tinha), de bicicleta, de apertar a campanhia dos apartamentos e sair correndo escada abaixo (caindo sempre) ou brincar de Susi.  Consequentemente foi lá que iniciei e vivi minha adolescência com todas as neuras e dificuldades dessa etapa da vida: a experiência da primeira paixão, da frustração de não ser correspondida, do primeiro namoro que não teve beijo, das melhores amigas, dos bailinhos*…

Falando em bailinho, me lembrei dos aniversários da Suzana, que eram ótimos e sempre tinham esses bailinhos… A Su sempre foi gente boa, aquela menina que a nossa mãe gosta e diz que é boa companhia pra gente, e ainda por cima tinha um quarto cor-de-rosa que era uma espécie de QG de boa parte das meninas do prédio. Lá, ficávamos ouvindo música, dançando, dublando, fofocando e sobretudo, sonhando… Semana passada ela postou no Facebook uma das fotos de seu aniversário de 12 anos, onde eu também estou, é esta aqui:

Da esquerda para a direita: Larissa, Kitty (atrás), eu (na frente, com a mão no queixo), Camila (antes de virar alemoa), Gabi, Suzana e Luciane, minha prima.

Meu… Que viagem no tempo eu fiz quando vi essa foto! Era meio da década de 80 (84, 85…). A moda era o new wave, e se os mais novinhos pensam que ser ‘colorido’ é modinha atual, se enganam redondamente. Olha a gente aí, com nossas roupas em tons flúor, roxo, laranja, verde, amarelo limão… E ó, a gente achava lindo, nem vem.

Muita gente era convidada para o aniversário da Suzana. Era tipo, “o” evento. Enchia o salão de festas do prédio. Ia a turma do prédio e da escola que ela estudava (e uns meninos grandões, mais velhos, do 1º colegial, rs, que nem olhavam pra gente, as pirralinhas de 12 anos). No aparelho de som “3 em 1”  rolava Duran Duran, Rádio Táxi, The Police, Blitz, Madonna, Michael Jackson estourando com Thriller, Culture Club, Grafitti e seu Mamma Maria, Cyndi Lauper, as meninas do Go Go’s…

(Reparou no jeitnho que a vocalista dança? Não era assim que a gente fazia? Eu fazia assim!)

Uma coisa que eu acho muito legal nos anos 80 e que hoje eu não vejo mais acontecer, é que nessa época os adolescentes não tinham grilos em dançar juntos músicas lentas, além do que isso era uma baita oportunidade de chegar mais perto da paquera sem se comprometer. Ok, hoje dançam o tal do forró e sertanejo universitário, mas não é a mesma coisa, definitivamente.

Mas, voltando ao assunto, ‘ficar’ nos meus 12, 13 anos, não existia. Ou vc namorava, nem que fosse namoro de 2 dias, ou não. Não sei se aí onde vc mora era igual, mas começar a namorar naquela turma era todo um processo. Primeiro você ficava sabendo por uma ou mais amigas, que o garoto que vc gosta também está gostando de você. Então começavam a troca de recadinhos. “Ele quer falar com você amanhã e vai te esperar no bloco F”. Frio na barriga, coração acelerado. Daí a menina respondia, quase sempre: “Não, diz pra ele pra gente conversar na festa de sábado, no salão”. Ô enrolação. Mas aí chegava a festa. Rock/pop tocando e a galera dançando. Você sabia que ele ia te tirar pra dançar assim que a música lenta começasse (e isso seria da metade da festa pro final, quando os poucos adultos presentes já estivessem mais desligados da gente por causa da cervejinha que a gente ainda não tomava). Então alguém decide, por livre e espontânea pressão dos apaixonados presentes, em diminuir a luz e tocar:

(O vídeo original está aqui. A EMI não me deixa postá-lo no blog. Possessiva, humpf!)

Aí vinha o momento tenso para as meninas: “Será que ele vem me tirar pra dançar?”  E o momento tenso deles era “será que ela vai topar?”. Quebradas as barreiras, a dança rolava e podia ser que o pedido de namoro acontecesse ali, ou não, podia rolar um cafunezinho na nuca, ou não. Se o menino gostava da menina e sabia que era correspondido e, mesmo assim, não fazia nada era chamado de “pato”. “Pato” nada tem a ver com aquele jogador, o Alexandre. “Pato” era a denominação carinhosa das meninas sobre os meninos tímidos, que não tinham atitude de chegar na garota e pedi-la em namoro, o que, vamos combinar, consistia num comportamento muito natural quando ainda não se tem 15 anos. Haviam as meninas “patas”também, mas nesse caso, não chegava a ser um defeito como no caso dos meninos, era quase um elogio (quase…).

Quando não tinha aniversário de ninguém a gente fazia festa assim mesmo e aí se chamava ‘bailinho’. Nessa ocasião tinha uma regra: menino levava bebida e menina levava comida (Ops! rs…). Não tinha isso de levar coxinha ou risolis encomendado. Pra petiscar na festa era pão de forma com patê de presunto ou Cheetos. Coca-Cola vinha em vidro de 1 litro e ainda tinha o guaraná Taí (“gostoso como um beijo…”).

Eu tenho muita saudade dessa época. Tenho saudade dessas meninas que não vejo há anos, e muita vontade de reencontra-las. Não quero parecer piegas – já basta esse meu saudosismo incorrigível, mas é inevitável comparar esse início da nossa adolescência com o desabrochar de uma flor, cujas pétalas experimentam pela primeira vez o calor do sol, a umidade do orvalho, o sopro do vento… Tudo era  muito intenso e imediato, embora tivesse também muito medo, sobretudo o de rejeição, o de não se sentir pertencente ao grupo… Eram tempos de ensaios para a vida adulta, mas a gente ainda não tinha consciência disso, melhor, até poderia ter, mas não pensava muito nisso, afinal, existiam tantas outras coisas mais importantes a se resolver.

Como, por exemplo, convencer os pais a te deixarem voltar meia noite pra casa. Isso sim, era uma dureeeeeza…

* ‘bailinho’ era como a gente chamava a festa onde todo mundo dançava, especialmente e com vontade, música lenta.

Sobre as coisas curiosas que a gente encontra por este país.

A Lu Arruda me chamou para uma brincadeira entre blogueiras e cá estou, cumprindo a minha parte – com muito prazer – nessa tarefa. O objetivo é falar 7 coisas sobre você e escolhi falar sobre as 7 coisas mais curiosas/inusitadas que encontrei pelos lugares onde já morei. ‘Bora saber?

1ª) Três Corações (MG) – Saí de Campinas em 1998 e fui morar na pequena e pacata cidade de 3 Corações, terra do Pelé e da minha 1ª professora de Dança do Ventre, a Ana Luíza. Não tinha muito o que fazer por lá nos finais de semana, então, se você não vai almoçar fora, num dos muitos pesqueiros que tem por lá, você vai para a praça da cidade. Na praça as pessoas estão com suas melhores roupas, andando, de lá pra cá, mas até aí, tudo bem, tudo normalzaço para uma cidade do interior. O que agitava o passeio da galera era um carro, uma espécie de Dodge ou Opala reformado. Nunca consegui reconhecer que tipo de carro era aquele por causa de uma colorida questão: a quantidade de lâmpadas e acessórios ‘colados’ na lataria do carro, que piscavam alucinadamente, sem falar na buzina totalmente estridente e estranha que saía dele.  E era um dos cartões postais da cidade, todo mundo queria uma fotinha do lado do carro.  Não sei se ele ainda existe, mas se existir e algum tricordiano ler esse post, manda uma fotinho dele pra mim, por favorzim? Divulgo aqui com créditos e tudo!

2ª) Ainda em Três Corações – Lá tem ‘boutiques’ boas (ai, boutiques é tão antigo, né? Como é que se fala hoje?), com roupas das lojas do Rio e de BH , aliás, uma modinha muito legal, diga-se de passagem. Daí que quando vc vai numa dessas boutiques e fica indecisa ao escolher a roupa, a gerente, super fofa, vira pra vc diz: “Ah, querida, leva pra casa as que vc gostou, experimenta com calma, amanhã vc traz de volta! Espera que eu só vou marcar aqui no caderninho as que vc está levando…. Tem pressa não, sô…” . Coisa linda, né gente? Igual em São Paulo!

3ª) Rio de Janeiro – Quando a gente está com fome e está na rua, com pressa, nada melhor do que comer um joelho. Não tô falando de joelho de porco. Falo do joelho, feito de massa de pão enrolada, recheado de queijo e presunto, calabresa, frango e com orégano em cima. Putz, como é bom. Como dizia aquela antiga música que não sei quem cantava: “tem vitamina, engorda e faz crescer!”.

4ª) Rio Branco (Acre) – ai, covardia falar dessa terra que eu amo tanto… Mas lá tem coisas muito diferentes… Uma delas é o refrigerante de saquinho. Em grande parte do país, quando você vai numa lanchonete, ou na cantina da faculdade/empresa e pede um refrigerante, o atendente te dá a lata ou a garrafa e pergunta se vc quer um copo ou canudo pra tomar. No Acre eles perguntam se vc quer o refri no saquinho. Quando eu escutei isso pela primeira vez eu ri e achei que era brincadeira. Mas não era. Tratava-se apenas de uma outra forma de matar a sede: beber o refri no saquinho, usando canudo. Assim:

Até dominar a técnica de segurar a embalagem e falar ao mesmo tempo,  alguns saquinhos, cheios de refri, foram ao chão. Mas depois que você compreende o segredo da coisa toda, fica fácil. Eu conseguia até atender celular e segurar o salgadinho sem deixar o saquinho cair no chão. Fiquei ninja no negócio, rs.

4ª) Mais uma de Rio Branco. , os estabelecimentos comerciais possuem nomes curiosos, que pouco tem a ver com a mercadoria que vendem. Por exemplo, na época que morava lá havia uma loja de material para construção chamada Agroboi (?) e outra chamada Barriga Verde. Tutti-Frutti era nome de pizzaria. Big Lanche o de um restaurante que não faz lanches. Esquina Verde, que não era floricultura, era peixaria. E assim por diante, tudo muito criativo e esclarecedor para o consumidor.(Valeu Tatá!!!!!!)

5ª) Salvador (BA) – No campus da UFBA, onde fiz Pedagogia, existia o Robertinho Baleiro. Quer dizer, acho que o Robertinho ainda existe, o que não existe mais é a barraquinha dele, uma antiga guarita, que ficava na frente do portão de entrada da Faculdade de Educação. O Robertinho vendia doces, refris, salgadinhos e também era o nosso vigia, comentarista e ‘balcão de informações’.  Dentro da cabine, dividindo o espaço com os quitutes, havia um sistema de auto falantes que espalhavam a voz do Robertinho por toda Faced . Era ótimo. Ele dizia a hora, se o Bahia perdeu o jogo – e ainda fazia comentário! Também falava das notícias do jornal e só interrompia o falatório pra atender cliente ou dizer qual ônibus estava vindo: “Olha aí pessoal, tá chegando Vila Laura, Iguatemi, Rodoviária…”. Ninguém perdia o ônibus. Fiquei sabendo que hoje ele dá palestras para empresários locais. Huuum, ficou chique.

6ª) Aliás, em Salvador, eu fazia muita confusão com nome de algumas coisas. O que em SP se entende por canjica, lá é mugunzá e a canjica de lá é o cural de milho do sudeste, entendeu? Então tem mais… Lapiseira é apontador e grafiti é a lapiseira, que se usa para escrever. Pasta de elástico, pra gente guardar trabalho de faculdade e documentos é classificador. Guardou? Ok, vou parar por aqui.

Classificador, lapiseira e grafiti. Mas faz sentido, não faz?

7ª) Porto Alegre (RS) – Quando cheguei aqui não foi só o linguajar local que estranhei, mas alguns costumes. Como no dia em que fui à uma padaria comprar muzarella para o lanche. Não encontrei aqui padaria que fatiasse o queijo na hora, ou eles já estão fatiados ou veem embalados à vácuo e são de marca (tipo Polenghi, ou Santa Clara). Ficam todos na geladeira, aguardando o freguês. Frios fatiados só no mercado, na padaria non. Aliás, já que falei de frios, outra coisa curiosa… Já ouvi alguns gaúchos chamarem de “frios” os salgadinhos servidos numa festa, exemplo: ‘Vou fazer meu aniversário em casa e preciso encomendar os frios… Quantas coxinhas tu achas que devo pedir?”. Uma graça!

Por essas e outras que sempre digo: há muitos Brasis dentro do nosso Brasil.

Pra continuar a brincadeira chamo a AngelCamilla, Denise, Ghiza, Samya Ju e a Jana!

Historinha

“Um sujeito estava colocando flores no túmulo de um parente quando vê um chinês colocando um prato de arroz na lápide ao lado. Ele se vira para o chinês e pergunta:
– Desculpe-me, mas o senhor acha mesmo que o seu defunto virá comer o arroz?
E o chinês responde:
– Sim, geralmente na mesma hora que o seu vem cheirar as flores”

Serve pro dia de hoje?