Sobre fazer pão e enfrentar mudanças.

Ontem eu conversava com minha amiga Tatá-anos-80 pelo Skype, e dentre as muitas coisas que falávamos, uma delas foi a não realização das expectativas. Cara, isso é um assunto que rende viu. Porque quando falamos das expectativas fazemos, ao mesmo tempo, uma re-análise das coisas que esperamos ou planejamos e aí a gente pode perceber o quanto de ‘sonhador’ nós temos ou se foi o nosso otimismo que subestimou a realidade.

Essa minha vida peregrina de mudar de estado a cada intervalo de tempo me apresenta desafios a todo instante. Se para marido a mudança se dá apenas em relação aos colegas de trabalho e à arquitetura do prédio onde vai trabalhar, para mim muda tudo. A cada cidade nova em que ‘desembarco’ me vejo às voltas com coisas do tipo: fazer um novo círculo de amizades, superar a saída forçada de um emprego legal que tinha no outro lugar em que morava e partir em busca de um novo, saber me situar dentro da nova cidade, etc.

Dessas situações, uma me incomoda bastante: a questão do trabalho. Eu gosto de trabalhar, sobretudo porque minha profissão lida com gente e eu gosto de gente. Ficar em casa limita a satisfação dessa necessidade que tenho de estar em contato com o outro permanentemente, vai me deixando triste, desanimada…

Nem sempre consegui o emprego que queria nos lugares por onde passei. Aliás, existiram lugares onde nem um emprego formal, com carteira assinada, eu consegui. Mas eu não podia parar, então fui inventar coisa pra fazer.

Já fiz cesta de cesta da manhã e adorava. Colocando a modéstia beeem longe, eu mandava bem nisso. Sempre gostei dessa coisa de piquenique, comidinha, fazer supresa, de coisas que deixam a vida mais alegre e fazer cestas de café da manhã reunia todas essas coisas.

Também sempre gostei de cozinhar e, talvez pelo fato de vir de uma família onde as mulheres mandam bem na cozinha e cuja ‘performance’ me fazia ficar ao lado delas na hora em que preparavam as receitas, tenho facilidade na arte de fazer ‘alquimias culinárias’, rs. Na época das cestas de café eu vivia testando bolinhos, geleias, biscotinhos pra colocar na cesta (eu não gostava de colocar nada industrializado, nada de biscoitinho Bauducco – seco e sem gosto – na cesta dos meus clientes, nana nina não!). Numa dessas minhas experimentações, comecei a fazer pães e de todas as receitas que encontrei, uma, em especial, elegi como a melhor e virou meu ‘carro-chefe’, por assim dizer. É uma massa ótima, que serve tanto para fazer pão doce ou salgado, recheado ou simplezinho. E com ótima durabilidade. Fez sucesso.

Daí veio mais uma mudança inter-estadual. Na nova cidade (então, Três Corações – MG) fiquei, mais uma vez, sem trabalho. Comecei a fazer as cestas, mas como cada cidade tem características próprias, aos poucos fui percebendo que esse negócio não ia dar muito certo por lá. Investi então na padeira que existe em mim, já que os mineiros apreciam muito essa coisa de alimento caseiro. Passei a fazer pães pra vender, com a receita maravilhosa que me refiro acima. E digo isso muito feliz, porque o dinheiro que vinha desses pães ajudou bem no orçamento de casa.

Embora eu passasse algum tempo na cozinha, empanada de farinha, essa atividade me fazia ter contato com as pessoas na hora em que ia na casa delas entregar o pão, algumas vezes até sendo chamada para entrar e tomar um cafezinho com um ‘pedacim’ de queijo – uma demonstração típica da hospitalidade mineira. Por causa desse pão conheci pessoas ótimas, de cujo relacionamento possibilitou, meses depois, encontrar um outro rumo para minha vida profissional e que desaguaria na principal atividade que tenho hoje, que é ser pedagoga.

Pode ser que pra vc que me lê aí, do outro lado da tela, as coisas não estejam sorrindo da forma como você queria. Ou talvez, nem exista sorriso. Por isso vou te dizer – e isso não é conselho, é só uma constatação que eu mesma me fiz a partir dessa experiência: está em suas mãos, e tão somente nelas, a oportunidade de mudar o cenário da sua vida, de dar à ela um novo rumo. Ok, meio clichezão isso que eu disse, parece até orientação de livro de auto-ajuda, mas é que isso é fato. E acrescento mais uma coisa: o tipo de influência que as pessoas com quem você convive vai determinar boa parte dessa mudança de rumo. Por isso fique esperto(a).

Ah, ficou curioso(a) pra saber que receita é essa? Sem problemas, eu passo. Aproveita que o final de semana já bate à porta e vc tem mais tempo pra se dar ao desfrute de fazer um pão caseiro! rs… (ou quem sabe, isso não vire uma fonte de renda pra vc também?)

‘Bora então:

Pão da mudança
(receita para 1 forma grande tipo bolo inglês)

Põe no liquidificadorsh na seguinte ordem:

– 1 1/2 xícara de leite em temperatura ambiente (se o tempo estiver muito frio, dá uma amornada)
– 1 ovo inteiro
– 1/2 xícara de óleo (use de milho, canola ou girassol)
– 1 tablete de fermento biológio fresco.
– 1 colher (sopa) de açúcar
– 1/2 colher (sopa) de sal

Então bata bem, uns 3 minutos.

Numa tigela grande e alta derrame essa mistura e vá acrescentando, de meia em meia xícara, a farinha de trigo. É importante que vc respeite isso, porque o grau de absorção das farinhas difere de uma marca para outra (eu gosto de usar Dona Benta), além disso, dependendo do clima que estiver fazendo da sua cidade a quantidade de farinha também pode aumentar ou diminuir(quanto mais úmido o tempo, mais farinha). Em média, essa receita leva de 4 a 6 xícaras de farinha de trigo, contando com os punhados que vc usa quando vai trabalhar a massa sobre a mesa.

Eu faço assim. Junto mais ou menos 3 xícaras de farinha na vasilha e mexo bem com a colher. Depois espalho farinha de trigo sobre a mesa e jogo a massa (que vai estar super pegajosa ainda), raspando com a colher os restinhos que ficam no recipiente. Aí, com a ajuda de uma espátula (o pão-duro) vou ‘puxando’ a massa, de baixo para cima, trazendo um pouco da farinha da bancada cada vez que eu ‘puxo’. Ajudo com a outra mão. Não precia sovar a massa, bater com força, nada disso. Tem que ter carinho :)… Então, vou secando a massa, até perceber que ela, por fora, não gruda nas mãos. É olho, sensibilidade, gente.

O segredo de fazer um pão que não fique duro depois que esfriar, ou no dia seguinte, é isso: estar atento à quantidade de farinha que vc usa. A massa não deve grudar nas mãos, mas também não deve estar completamente seca. É meio complicado explicar isso sem mostrar, mas pense assim: a massa tem que estar seca por fora, mas se vc ‘rasga-la’ ela vai aparecer bem úmida e pegajosa por dentro. Esse é o ponto que ela deve estar para ir ‘descansar’.

Então coloque-a num recipiente grande, tipo a vasilha da batedeira e deixe ela descansar por 1 hora ou até vc ver que ela dobrou de tamanho. Frio e chuva não são impeditivos para não fazer o pão (eu fazia até de noite quando tinha encomenda de última hora). Nessas situações, eu faço assim: pré-aqueço o forno, dexo ele bem quentão e desligo. Aí abro a porta do forno, deixo sair aquela primeira leva de ar quente e coloco a massa pra descansar, coberta por um pano limpo (senão ela resseca). Isso vale também se vc for deixar o pão descansando perto de uma janela onde bate o sol (dica de vó, nunca falha!). Pronto. Espera. O pão cresceu? Hora de trabalhar mais um pouco a massa, só que dessa vez, vc já vai deixa-la do jeito que ela vai ficar depois de pronta.

Tiro então a massa da vasilha e coloco em cima da bancada com farinha. Amasso um pouquinho – vc vai ver que não precisa sovar, é só abaixar a massa. Abro com um rolo de macarrão (lembre que a bancada tem que estar sempre enfarinhada), estico bem para todos os lados e aí vem mais um segredo: espalho pedacinhos de manteiga gelada (eu disse man-tei-ga) por cima da massa e enrolo como um rocambole. Acomodo na forma de bolo inglês, untada só com manteiga, ou numa forma de buraco no meio, ou retangular (eu prefiro a de bolo inglês, fica mais ‘arrumadinho’). Então deixo a massa crescer de novo por mais 30, 40 minutos, pincelo com uma gema de ovo, e asso no forno pré-aquecido, médio (180ºC) por uns 20 minutos (ou até que a crosta esteja douradinha).

Espero ficar morno e desenformo. Aí vem o mais ‘difícil’: Cortar um belo pedaço, passar uma manteiguinha deliciosa (ou geleia de amora, requeijão…) e pensar em como a vida é boa.

Dessa mesma base de massa vc pode fazer um pão recheado com o que vc quiser (presunto e queijo, banana e canela, frango desfiado com catupiry, gotas de chocolate, etc). Se for fazer um pão doce, é só retirar o sal e colocar mais 1 colher de açúcar. Dá pra fazer pães pequenos, em bolinhas, cobertos de gergelim, queijo parmesão, provolone ralado (este fica um crime de bom!). Já fiz até integral tirando uma das xícaras da farinha de trigo comum e colocando a integral e mais 1/2 xícara de pó de linhaça dourada. Se for querer fazer uma versão mais light ainda, é só usar leite desnatado e retirar a manteiga da hora de abrir o pão. Tá vendo? É uma massa que aceita tudo!

Espero ter te inspirado. Gosto de partilhar coisas que me ajudaram a superar momentos difíceis, de repente elas podem ser úteis para alguém. Só peço uma coisa… Se vc fizer o pão, volta aqui e conta o que achou?

No mais, um lindo (e ensolarado, assim eu espero!) final de semana pra gente!

O Acre. Minha Aldeia.

(Topa vir comigo para uma viagem comprida, lá para as bandas do Norte do nosso Brasil? Vem, acho que você vai gostar…Antes, clica aqui, e vai ouvindo a música que eu escolhi pra embalar essa nossa viagem…)

***

O post de hoje vai falar de um lugar lindo, de gente tão linda quanto o céu daquela terra… Esse lugar se chama Rio Branco e é a capital do estado do Acre.

Tive a felicidade de morar naquele pedaço mágico de terra por 3 anos: 2002, 2003 e 2004. Foram anos fundamentais no meu crescimento pessoal e profissional. Costumo dizer que minha vida tem um marco, como no cristianismo: A.A. (antes do Acre) e D.A. (depois do Acre), tamanho foi o aprendizado que tive vivendo naquele estado.

Para uma paulista interiorana como eu, arraigada à sua terra e grudada na família de ascendência italiana (onde um não faz nada se não comunica ao outro), sair de perto desse núcleo pode ser assustador e não estou exagerando. Antes de ir p/ o Acre eu já havia morado em Três Corações (sul de Minas) e no Rio. Cidades que ficam a uma distância razoável de Campinas – minha terra, mas não tão longe que não se possa fazer um ‘bate-volta’ de final de semana. Assim, mesmo estando longe da terrinha, conseguia manter contato físico frequente, onde podia matar a saudades do colo da família na hora que quisesse.

Além disso, eu era uma cria do sudeste. Acredito que consigam imaginar o que é para uma pessoa nascida e criada numa cidade rica e desenvolvida como Campinas, que ouvia desde criança o discurso orgulhoso de fazer parte da população do estado mais rico e desenvolvido do país, receber a notícia de que vai morar no Acre. Sim, foi como me tirar o chão. Sobretudo porque naquela época, os ecos desse discurso que eu citei acima me faziam manter a infantil empáfia bairrista que fazia pensar que só o que existia no eixo Rio-São Paulo prestava.

E foi assim, assustada, sem nenhuma expectativa, que eu desembarquei, depois de uma viagem de mais de 7 horas (São Paulo – conexão em Brasília – escala em Porto Velho), à 1h30 da madrugada, no 2º dia do ano de 2002, no aeroporto internacional de Rio Branco, pela primeira vez na vida. Ainda sou capaz de sentir o vento quente amazônico que veio me receber assim que saí da aeronave e que me fez pensar: “estou numa estufa! Vou voltar pro avião”.

A longa estrada para o aeroporto

Como podem ver acima, o aeroporto fica fora da cidade. Imaginem fazer este caminho de noite e não ver nada do lado de fora do carro (era só a mata!). Isso fez eu me arrepender ainda mais por não ter voltado p/ dentro do avião. Mas, devagar, a cidade foi surgindo com suas casinhas, umas de alvenaria e outras de madeira (uma novidade para mim), as ruas desertas (claro, já era madrugada) até chegarmos no hotel em que ficaria até ir p/ minha casa em definitivo. Os primeiros dias foram difíceis. Janeiro é um mês chuvoso, é o ápice do inverno amazônico (sim, vc leu certo. Na Amazônia o inverno vai de dezembro a fevereiro). Chove o dia todo e todo dia. Mas é quente, abafado. Estranhei demais.

Então comecei a pensar: “meu Deus, cheguei aqui, não conheço ninguém, marido já começou a trabalhar, estou há 4.000 km de distância de Campinas, eu preciso fazer alguma coisa, porque se ficar parada eu vou enlouqucer!”. Tudo bem que já estava transferida para a universidade federal de lá (UFAC) onde faria então boa parte do meu curso de Pedagogia, mas precisava trabalhar…. E assim, perguntando aqui e ali, fui procurar emprego.

E emprego foi o que não me faltou naquela terra. E graças às diversas atividades que exerci por lá acabei conhecendo muita gente. Olha, se não fiz de tudo, fiz quase. De professora de escola de capacitação profissional à repórter temporária da retransmissora da TV Record (que lá tem o nome de outra emissora de TV, a Gazeta (!)), nesse meio tempo conseguindo concretizar meu projeto de arte-educação com dança brasileira, trabalhando com publicidade e ainda fazendo merchandinsing e comercial pra TV (coisa que eu jamais imaginei fazer um dia). Tudo isso me foi oportunizado. E quanta coisa aprendi com eles e como tudo isso fez eu me conhecer cada vez mais, fazendo-me perceber que conseguia dar conta de mim mesma.

Mesmo fazendo tudo isso (e estudando Pedagogia), minha principal atividade, durante aqueles 3 anos, foi com a Dança do Ventre. Vocês já sabem que minha estrada na dança é longa. Nessa época eu estava em ponto de bala para começar a dar aulas: tinha um bom conhecimento de dança e de cultura árabe e acabara de tirar meu registro profissional na área (DRT). Até então, não havia no Acre nenhuma professora de danças árabes, e eu estava ali, chegando no auge da novela “O Clone”.

Aumentou a procura pela dança, mas também confundiu muito.

Bem, acho que até aqui já deu pra imaginar como foi a minha vida por lá… Pois é… Talvez o fato de chegar sem expectativas me fez começar a enxergá-las assim que comecei a perceber que as coisas estavam acontecendo para mim. Só sei que foi lá que aprendi muito do que sei hoje. Coisas que se vivesse apenas em Campinas eu jamais teria tido a chance de saber.

Rio Branco é uma cidade como qualquer outra que tenha uma população de aproximadamente 300 mil habitantes e conta com uma boa infra-estrutura: tem cinema, teatro, cafés, mercados, shopping (ainda que fraquinho, mas tem), comércio, universidades, bons restaurantes, lazer, hospitais… Infelizmente, o governo deste país ainda põe o foco no desenvolvimento no eixo centro-sul, e isso faz com que, dentre outras coisas, a gente não encontre artigos específicos de vestuário ou alimentares, na variedade e na quantidade as quais estamos acostumados no sul do país. Mas olha, vai de tudo um pouco pra lá e no final vc não sente falta de nada. Só que quando sai daquela terra, sente muita falta de gostosuras como o guaraná Tuchaua, o biscoitinho de castanha do Brasil ( não é mais do Pará, visse?), da farinha – absoluta e de-li-ci-o-sa – de macaxeira com côco, de comer filezinhos de peixe dos rios amazônicos (huum…), de encontrar filé mignon à 8 reais o quilo (e picanha também!). Só não vou falar do tacacá, pois foi a única coisa que eu não conseguir tomar, fui fraca, admito…

Lá é um dos poucos lugares onde se paga bem na área de educação e onde vi um governo investir no ensino público de verdade. O investimento na urbanização e revitalização da capital também está a todo vapor e tem transformado Rio Branco numa cidade linda.

O povo acreano é, sem sombra de dúvida, o mais receptivo que existe nesse país. Que me desculpem meus amigos de outros estados, vocês são uns amores, mas os acreanos nos recebem de uma forma muito especial, muito amorosa, que nunca vi em nenhum outro lugar (e olha que eu rodei, hein…). Sempre digo que não fui recebida de braços abertos por eles, mas que fui pega no colo! Conheci pessoas que fizeram toda diferença na minha vida: Sandra Buh, Angela, Noélia, Sara Mae, Sidney (meu cinegrafista-professor), Ocivaldo, as tantas alunas de dança que tive, as meninas que acreditaram em mim e juntas fizemos o 1º grupo de dança árabe do Acre, meus aluninhos das escolas, minhas alunonas da capacitação, Maju… Na verdade a lista é imensa, pois são todos muito especiais e tocaram de forma muito particular a minha vida.

(My god, que post imenso… Desculpem, não sei ser sucinta quando falo das coisas que amo…)

Nunca vi um céu tão estrelado como eu via lá… Nunca mais comi banana chips frita na hora… Lá eu ouvia a chuva vindo, lá de longe, da floresta e 5 minutos depois ela estava caindo sobre a minha casa… Até escutar Calypso lá era diferente, tinha graça!

Você pode me perguntar: Mas Vi, Rio Branco não tem problemas, como carência de mão de obra especializada? Sim, ainda tem. Mas tem igualmente um povo que agarra com unhas, dentes e determinação as oportunidades de crescimento profissional. São lutadores, empreendedores, muito trabalhadores. São pessoas que tem sede de crescimento e de vencer por isso procuram fazer daquela terra o melhor lugar para se viver e estão conseguindo.

Querem ver? Deem uma olhadinha (clicando sobre elas, vc as verá maior e com mais detalhes) :

Gameleira. Centro histórico de Rio Branco

Saí de lá sabendo que deixava uma parte do meu coração… O carro saía da cidade e eu, olhando para trás, via aos poucos as casinhas de alvenaria e de madeira sumindo, deixando a estrada margeada pela floresta ir ocupando seu espaço… Saí muito triste, sabendo que não sabia quando iria voltar. Na verdade, até hoje não sei. Mas espero que não demore… O Acre me ensinou que o melhor lugar pra se viver é a gente que faz.

A bandeira do Acre com sua estrela altaneira.

* A música que convidei vcs a ouvir é de um cantor/compositor acreano chamado Sérgio Souto e se chama Minha Aldeia. Puro espírito daquela terra.
* As fotos vieram daqui. Clica para você ver mais de Rio Branco.

Pausa na nossa programação

Ô meu amores, lindinhos e lindinhas da titia, não abandonei vocês não, sô. Tô de mudança, lembram? Entonces, a casinha já está nos pampas gaúchos, mas eu ainda estou em terras paulistas (sim, deixei meu Rio 40º semana passada). Estou blogando do pc da irmã, um Lentium.

Dia 02 de janeiro farei como os pássaros. Como já é verão, rumarei ao Sul!(mas vou mandando notícias, podexá!)

Beijim.

Fuuuuuuuuui!

De partida.

Então, gente. Nessa semana farei a minha mudança. A 11ª em 16 anos de casada. Como vocês já sabem, a bola da vez é Porto Alegre, tchê.

Lindo, né?

Como explicar a vocês este processo? Bão, mudança é mudança. Caixas brotam do chão e o barulhinho da fita adesiva lacrando essas caixas, alucinadamente, me dão um pouco de agonia (aliás, aqui no prédio, como tem muita gente no mesmo processo que eu, esse “sonzinho” acaba ecoando pelos corredores, vira “música ambiente” ). Essa fase demanda um ritual: dias antes separo o que não quero mais, o que vou doar e o que precisa consertar. Duas semanas antes, tapetes e edredons foram pra lavanderia. Quero todos cheirosos e limpinhos na casa nova.Também tem que encerrar conta no banco, mandar desligar telefone, luz, Sky, ver se não está deixando nada pendente, etc, etc e etc.

Adoro mudar de cidade, conhecer culturas diferentes, ter um monte de amigos espalhados pelo Brasil, mas ói… Esse período de encaixotar e desencaixotar a casa eu poderia pular. É um stresse. Na hora de embalar sofá, geladeira, estante, mesa, mesinha e mesão tenho que ficar atrás dos embaladores. Mudança que vai longe tem que estar super bem embrulhada,pois com a trepidação da estrada, muita coisa racha, quebra, trinca. Já perdi muitas coisas nesses anos, às vezes penso em me desfazer de tudo, comprar só o básico, bem baratim, prá não ter dor de cabeça se por acaso quebrar a mesa de vidro que eu mesma desenhei. Mas, cara, não tem jeito. Sou canceriana, minha casa é o meu castelo, meus objetos são a minha história e eu tenho que te-los por perto. Então, ‘bora todo mundo prá dentro da caixa.

Ai, tá pesada!

Desço p/ o Sul no primeiro dia do ano. Coisa mística, non? De partida para uma vida nova no primeiro dia do ano. Vamos de carro, que é muito mais legal e também porque eu tenho paúra de avião. Entonces, amores da tia, se eu sumir um pouquinho já sabem. Tô sendo encaixotada ou tô com o pé na estrada.

Ah, se eu gosto dessa vida? Adoro. Aprendo um monte de coisa, conheço muita gente diferente e especial. Me sinto cada vez mais cidadã do mundo.

A gente vai se falando. Beijo.