Do cotidiano para o palco

Desenvolver uma obra de alto nível artístico a partir das coisas simples, comuns e despercebidas no cotidiano. O trabalho de Ivaldo Bertazzo parte deste pressuposto: de algo aparentemente tão simples (simples nada, levamos séculos para adquirir esse refinamento gestual), brota um dançarino, um tradutor de emoções… Pode ser você, eu, nossos vizinhos, a moça do café…

Vale muito a pena ver. Aproveita que hoje é sábado e vc está com tempo.

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Não são minhas todas as dores do mundo.

Os astrólogos dizem que os cancerianos guardam as mágoas que lhes fazem e não esquecem nunca mais, a ponto de um dia, do nada, se viram para a pessoa e cobram satisfação pela mágoa causada. Bem,  influenciada ou não por essa determinação, infelizmente eu sou assim. Mas tem um lado também que poucos falam, talvez porque não seja uma característica típica canceriana, mas por se tratar de um aspecto da personalidade: a mágoa permanece até que exista um pedido – sincero – de desculpas.

O problema é saber o quanto de sinceridade e  arrependimento existe nas desculpas daquele que nos magoa. Nunca dá pra saber, né? Tirando os casos onde o fingimento é óbvio (e até uma criança percebe), quase sempre eu dou fé nas palavras do meu ofensor e acolho seu pedido de desculpas. O céu azul então se abre e tudo fica bem entre nós.

Sei lá, acho que com todo mundo é assim.

O problema é quando a pessoa ” recorre no delito”, em outras palvras, pisa na jaca de novo, e feio.  E aí, vem o dilema: perdoo outra vez?

Difícil resposta. Depende do erro e mesmo sendo feio, medir a repercussão que teve, do quanto afetou a minha vida, a minha rotina, como é a pessoa, que princípios ela tem, como é o meu relacionamento com ela, enfim….São muitas variáveis a serem consideradas.

Eu vejo que existem pessoas que se arrependem profundamente da mágoa que causaram e a prova disso é que  junto com o pedido de desculpas vem uma mudança de comportamento. Outras erram, pedem desculpas, às vezes usando o recurso das lágrimas, ou dos “eu te amo” ditos repetidas vezes, mas passam 1, 2 semanas, recorrem no erro outra vez. Outros erram e ainda botam a culpa em você e, é claro, nunca virão pedir desculpas.

O primeiro caso nos faz perceber que valeu a pena perdoar. No segundo a gente se sente uma besta.  No terceiro você se sente injustiçado, mas se for magnânimo(a) perdoa a pessoa, silenciosamente, no seu coração. Se não for, reze para não trucidá-la na próxima vez em que se verem.

De uns anos pra cá, devido às decepções que tive, ou por ter amadurecido, eu percebi que compreendo melhor as falhas alheias, até quando elas me atingem de uma forma bem doída. Sério, ainda assim eu consigo entender. Mas isso não implica em aceitar a pessoa novamente no meu convívio. Sobretudo se o erro for recorrente. Aí, vejo que por enquanto, até que certas questões pessoais não forem resolvidas,  o convívio será difícil. Assim, mesmo compreendendo, vou embora.  Não insisto.

Queria ser diferente e poder admitir a pessoa 2, 3, 4 vezes e quantas outras fossem necessárias. Mas vejo que algumas pessoas só aprenderão quando acontecer com elas algo parecido com o que fizeram ao outro. Ou quando se virem totalmente só. Ou quando a velhice mostrar, através de algo bem concreto, como ela pode complicar tanto a própria vida.

Perdoar faz bem para quem é perdoado e é melhor ainda para quem perdoa. Mas me dê o direito de me proteger de possíveis futuras ofensas. Ponho no fundo do baú a raiva e a mágoa que vc me fez passar, mas prefiro ajudar rezando por ti distante do teu convívio. É melhor para mim e para você.

Gente grande também gosta de colo.

Semaninha começando…. 6 dias aí pela frente, novinhos, esperando pelas suas ações. Pode ser que a vida não esteja assim, do jeitim que você queria que ela estivesse, mas está aí, pulsando… Dentro e fora de você.

Noutro dia, escutei de algumas pessoas (justamente as quais gosto demais) tristes palavras de desânimo e cansaço. Lamentavam a vida, as pessoas que tinham ao redor, o trabalho ou a falta dele. Eu também lamento muita coisa, às vezes sou muito insatisfeita e dramática. Não sei ficar quieta quando estou sofrendo, seja grande ou pequena a minha dor. E verbalizar sobre o que a gente sente faz bem, faz entender melhor o que acontece, faz a gente se ‘ver’ pelas palavras.

Mas voltando àquelas pessoas. Enquanto me falavam eu ia sentindo uma vontade grande de pega-las no colo, de fazer-lhes um carinho no cabelo… Ás vezes, o real motivo da lamentação reside na necessidade disso: afago, colo. Esses atos são importantes em qualquer fase da nossa vida. Sabe por quê? Porque o afago do outro sobre a nossa pele é sinal de aceitação. É como dizer: “eu te endendo e olha, tudo vai passar”. Que nem mãe faz no fiho quando ele cai e se machuca. Um pouco de colo, de beijinho, de afago e pronto. Tudo já passou, ou no mínimo vai doer menos. É um ato que traz calmaria, apazigua a revolta.

O toque é necessário p/ a nossa saúde mental. É o corpo curando com as palavras que a nossa boca ainda não sabe dizer.

Exprimenta isso. Se alguém vier fazer ‘chororô’ pra você durante esta semana, ofereça seu colo, suas mãos num afago. Sobretudo àquelas que estiverem demonstrando maior fragilidade. Podem estar precisando apenas disso: aceitação.

A gente precisa ter mais carinho com o outro. Porque, lá no fundo, gostando ou não, somos todos interdependentes.

Boa semana e um abraço gostoso em você.

Intervalo

Eu juro que queria vir falar de coisas leves, legais prá vocês.
Mas galera, ainda não está dando….
Mesmo assim, escrever aqui é aliviar um pouco o que eu sinto, é, de certa forma, negociar com a dor.

Eu estive pensando muito na forma como a vida caminha. Penso nas pessoas que cruzam o meu caminho, nas que deixei partir, nas que briguei e até hoje não me reconciliei, nas que eu ajudei, nas que me ajudaram, daquelas que eu nunca me esqueço, independente do tempo. Penso naquelas que já se foram, naquelas que eu morro de vontade de ver de novo, naquelas que eu vejo hoje e as que eu posso nunca mais ver – embora, lá no fundo, considere a expressão ‘nunca mais’ muito exagerada.

Não admito a hipótese de que todas essas pessoas que encontrei ou reencontrei tenham aparecido por acaso. Existe um porque para isso tudo. Posso nem saber qual seja num primeiro momento, mas que ele existe, existe. Também sei que tenho um pouquinho de cada uma delas em mim; assim como eu, de alguma forma, fiquei nelas.

Daí então eu lembro das coisas que eu queria ter dito e deixei passar.

Mas não vou mais fazer assim não.

Palavra guardada dentro da gente mofa, cria teia de aranha, ocupa espaço. Palavras são feitas para serem ditas, mesmo que não sejam doces. Há sempre um jeito de se dizê-las.

Ah, mas também tem uma coisa… Só digo quando encontro ouvidos que desejam me ouvir. Nada pior do que a indiferença de quem parece lhe escutar. Disperdício de energia.

Veja se com você acontece a mesma coisa: prá mim, parece que tudo aconteceu ontem. Bem, quer dizer, esse ‘ontem’ não fica tão perto quando eu me lembro de tudo o que eu já fiz nessa vida. Mas quando eu me recordo dos fatos, ainda sou capaz de sentir os sentimentos que sentia. Por exemplo, a Manu está com quase 16 anos mas eu ainda me lembro da sensação dela se mexendo quando ainda estava dentro da minha barriga – e era uma sensação fantástica!

Então, não é uma burrice ficar perdendo tempo com coisas que não te movem internamente, ou que fazem a tua vida enroscar? Estamos aqui hoje, amanhã podemos não estar mais. Fez o que queria nesse meio tempo? Falou o que teve vontade? Foi fiel à si mesmo?

Dá o devido valor a quem realmente DEMONSTRA se importar com você?

Quando você estiver diante de uma pessoa que lhe é especial, diga. Se sentiu saudades, diga. Se amou ou se ama, diga (todo mundo adora saber que é amado, não é assim com você?). Se ficou bravo com o que lhe fizeram, reclame, mas tente compreender, você também é imperfeito. Se brigou e sente vontade de se reaproximar, tente. Pode ser que não dê certo, afinal, cada um tem seu tempo, mas você se sentirá melhor. Se algo ficou pendente, resolva. Não empurre nada para o amanhã, ele pode não chegar prá você ou para a pessoa.

Não disperdice as oportunidades que aparecem diante dos seus olhos.

Uma das coisas que me deixa tranquila com a partida do meu pai, é a certeza de que ele sabia que eu o amava. Você nem imagina o quanto isso conforta.

O amor que a gente manda, volta prá gente.
Beijos e que nossa semana seja linda.

Fale. Verbalize. Mas seja consciente do que sai da sua boca.