Samba de roda é feito pra gente sorrir.

Hoje venho contar a vocês uma coisinha…
Certas coisas são muito difíceis de descrever, mesmo que a gente domine bem a regência das palavras.
Há poucos anos, quando ainda morava em Salvador, fiz uma oficina de danças folclóricas do norte e nordeste, e dentre essas danças havia a delícia do samba de roda do recôncavo baiano.
Quem deu essa parte da oficina foi um grupo de baianas da cidade de Saubara, uma cidade do interior da Bahia. Senhoras alegres, fartas em todos os sentidos e bem sérias na hora de passar os conhecimentos e a cultura de sua gente.
Ensinaram “à gente da cidade grande” o molejo sossegado e compassado desse tipo de samba. E  “a gente da cidade grande” teve mesmo que rebolar pra fazer aquela simplicidade de movimento. É porque coisa simples é assim mesmo, tem manhas e segredinhos pra ser entendida em sua plena verdade.
Tenho saudade dessa vivência e de vez em quando escuto uma leva de samba de roda, resgato os passos que aprendi, mas ainda sem a competência e naturalidade daquelas senhoras.  Recentemente encontrei um vídeo da Mariene de Castro, minha cantora baiana preferida (e que todo mundo deveria ouvir, pelo menos, 1 vez na vida), que mostra um pedacinho de um show que ela fez no TCA – Teatro Castro Alves, um dos mais lindos altares da Arte que já conheci. Então… Nessa ‘palhinha’ achada na internet tem Mariene cantando lindamente um pout-pourri dos mais alegres sambas de roda que existem, “a bordo” de um pratinho e uma faca, o tal do instrumento improvisado nos terreiros de samba do recôncavo. Também está lá a energia leve e colorida do samba de roda, e de sua gente sorridente. Foi irresistível vir aqui e mostrar isso pra você.

Escuta essa voz, sente esse ritmo, observa esse arrastar de pés e o balanço do corpo… Também não se acanhe se o seu corpo responder ao som. Deixa vir, que isso alegra a alma, colore a vida.

Com vocês: Mariene, as baianas e o samba de roda.

 

 

Casa Arrumada

Carlos Drummond de Andrade 

Casa arrumada é assim: um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa entrada de luz. Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um cenário de novela. Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os móveis, afofando as almofadas… Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo: aqui tem vida… Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras e os enfeites brincam de trocar de lugar. Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha.

Sofá sem mancha?

Tapete sem fio puxado?

Mesa sem marca de copo?

Tá na cara que é casa sem festa.

E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança.

Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde. Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante, passaporte e vela de aniversário, tudo junto… Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda. A que está sempre pronta pros amigos, filhos, netos, pros vizinhos… E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca ou namora a qualquer hora do dia. Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara da gente.

Arrume a sua casa todos os dias… Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela… E reconhecer nela o seu lugar.

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Tem coisa mais fofa e verdadeira do que esta, minha gente?

 

 

Recado aos moradores dessa casa azul.

Encontrei esse pensamento pela internet e não consegui descobrir quem é seu autor. De qualquer forma, a mensagem se faz útil nesses tempos ‘nervosos’ em que vivemos.

“Tudo está ligado, como o sangue que une uma família.
Todas as coisas estão ligadas.
O que acontece a Terra recai sobre os filhos da Terra.
Não foi o homem que teceu a trama da vida.
Ele é só um fio dentro dela.
Tudo o que fizer à teia, estará fazendo a si mesmo.”

No dia 26 de março, às 20h30, acontecerá a Hora do Planeta.  Durante 1 hora, quem apoiar o movimento, deverá apagar todas as luzes de sua casa ou empresa a fim de sensibilizar a sociedade para as questões do aquecimento global e o que cada um de nós podemos fazer em prol da manutenção da vida em nosso planeta. Pense sobre isso. Mas depois, aja.

Historinha

“Um sujeito estava colocando flores no túmulo de um parente quando vê um chinês colocando um prato de arroz na lápide ao lado. Ele se vira para o chinês e pergunta:
– Desculpe-me, mas o senhor acha mesmo que o seu defunto virá comer o arroz?
E o chinês responde:
– Sim, geralmente na mesma hora que o seu vem cheirar as flores”

Serve pro dia de hoje?

 


As verdades de Nelson.

Não sei se gosto de Nelson Rodrigues. Não sei o quanto há de verdade nas frases que ele dizia. Talvez fosse o ponto de vista de alguém bem infeliz, calejado por uma vida difícil.  Talvez fosse a conclusão de alguém que entendia demais o comportamento humano e visse um pouco mais além da maioria. Quem sabe, um pouco de cada coisa. De qualquer forma, algumas vezes concordo com ele, noutras discordo veementemente.

O que não nego, é que ele me faz pensar bastante… Será que a vida é realmente assim?

O pudor é a mais afrodisíaca das virtudes.”

Muitas vezes é a falta de caráter que decide uma partida. Não se faz literatura, política e futebol com bons sentimentos…

Só o rosto é indecente. Do pescoço para baixo, podia-se andar nu.

“Só o cinismo redime um casamento. É preciso muito cinismo para que um casal chegue às bodas de prata.”

As grandes convivências estão a um milímetro do tédio.

O jovem tem todos os defeitos do adulto e mais um: o da inexperiência.”

A liberdade é mais importante do que o pão.

Sem paixão não dá nem pra chupar um picolé.

Os homens mentiriam menos se as mulheres fizessem menos perguntas.

E para finalizar…

Todo ginecologista devia ser casto. O ginecologista devia andar com batina, sandálias e coroinha na cabeça. Como um São Francisco de Assis, com luva de borracha e um passarinho em cada ombro.

Bom dia, borboleta!

Concorda comigo se não é uma delícia acordar numa segundona, véspera de feriado, com um solzão todo arreganhado do lado de fora e um céu azul de fazer passarinho dar cambalhota no ar? Dias assim me deixam muito inspirada, com vontade de voltar à fazer minhas caminhadas diárias, ir ao mercado municipal de cesta e chapéu de palha e voltar repleta de coisinhas boas, de dançar na praça, de tomar sorvete de doce de leite e fazer mil planos para o resto da semana…

Então, o que é que estou fazendo aqui, na frente desse computador?