Historinha

“Um sujeito estava colocando flores no túmulo de um parente quando vê um chinês colocando um prato de arroz na lápide ao lado. Ele se vira para o chinês e pergunta:
– Desculpe-me, mas o senhor acha mesmo que o seu defunto virá comer o arroz?
E o chinês responde:
– Sim, geralmente na mesma hora que o seu vem cheirar as flores”

Serve pro dia de hoje?

 


Intervalo

Eu juro que queria vir falar de coisas leves, legais prá vocês.
Mas galera, ainda não está dando….
Mesmo assim, escrever aqui é aliviar um pouco o que eu sinto, é, de certa forma, negociar com a dor.

Eu estive pensando muito na forma como a vida caminha. Penso nas pessoas que cruzam o meu caminho, nas que deixei partir, nas que briguei e até hoje não me reconciliei, nas que eu ajudei, nas que me ajudaram, daquelas que eu nunca me esqueço, independente do tempo. Penso naquelas que já se foram, naquelas que eu morro de vontade de ver de novo, naquelas que eu vejo hoje e as que eu posso nunca mais ver – embora, lá no fundo, considere a expressão ‘nunca mais’ muito exagerada.

Não admito a hipótese de que todas essas pessoas que encontrei ou reencontrei tenham aparecido por acaso. Existe um porque para isso tudo. Posso nem saber qual seja num primeiro momento, mas que ele existe, existe. Também sei que tenho um pouquinho de cada uma delas em mim; assim como eu, de alguma forma, fiquei nelas.

Daí então eu lembro das coisas que eu queria ter dito e deixei passar.

Mas não vou mais fazer assim não.

Palavra guardada dentro da gente mofa, cria teia de aranha, ocupa espaço. Palavras são feitas para serem ditas, mesmo que não sejam doces. Há sempre um jeito de se dizê-las.

Ah, mas também tem uma coisa… Só digo quando encontro ouvidos que desejam me ouvir. Nada pior do que a indiferença de quem parece lhe escutar. Disperdício de energia.

Veja se com você acontece a mesma coisa: prá mim, parece que tudo aconteceu ontem. Bem, quer dizer, esse ‘ontem’ não fica tão perto quando eu me lembro de tudo o que eu já fiz nessa vida. Mas quando eu me recordo dos fatos, ainda sou capaz de sentir os sentimentos que sentia. Por exemplo, a Manu está com quase 16 anos mas eu ainda me lembro da sensação dela se mexendo quando ainda estava dentro da minha barriga – e era uma sensação fantástica!

Então, não é uma burrice ficar perdendo tempo com coisas que não te movem internamente, ou que fazem a tua vida enroscar? Estamos aqui hoje, amanhã podemos não estar mais. Fez o que queria nesse meio tempo? Falou o que teve vontade? Foi fiel à si mesmo?

Dá o devido valor a quem realmente DEMONSTRA se importar com você?

Quando você estiver diante de uma pessoa que lhe é especial, diga. Se sentiu saudades, diga. Se amou ou se ama, diga (todo mundo adora saber que é amado, não é assim com você?). Se ficou bravo com o que lhe fizeram, reclame, mas tente compreender, você também é imperfeito. Se brigou e sente vontade de se reaproximar, tente. Pode ser que não dê certo, afinal, cada um tem seu tempo, mas você se sentirá melhor. Se algo ficou pendente, resolva. Não empurre nada para o amanhã, ele pode não chegar prá você ou para a pessoa.

Não disperdice as oportunidades que aparecem diante dos seus olhos.

Uma das coisas que me deixa tranquila com a partida do meu pai, é a certeza de que ele sabia que eu o amava. Você nem imagina o quanto isso conforta.

O amor que a gente manda, volta prá gente.
Beijos e que nossa semana seja linda.

Fale. Verbalize. Mas seja consciente do que sai da sua boca.