Já que estamos na primavera… Seja bem vindo à Ilha das Flores!

Eu sei que vocês gostam de chegar aqui e encontrar textos escritos. Já notei também que quando posto vídeos quase não há comentários, embora o número de visitantes não diminua. Talvez não vejam porque não tem tempo ou interesse. Ou os dois. Bem, quem sou eu para forçar alguém a ver alguma coisa, né?

Mas esse vídeo, em especial, é tocante e eu faço um apelo para que vocês vejam. É um curta metragem produzido aqui mesmo em Porto Alegre, numa das ilhas que margeiam a cidade: a Ilha das Flores. Ah, não se enganem com este nome.

O vídeo tem 10 minutos, a qualidade é maravilhosa e o alerta que ele faz, urgente. Se agora vc não tem tempo de ve-lo, não deixe de voltar depois e conferir.

Mas, se tempo agra não é problema, acomode-se bem confortavelmente e assista. Em tela cheia, preferivelmente. Ei-lo:

E se não for pedir muito, coloca aqui o que voc~e sobre o que acabou de ver. Vamos trocar uma ideia, ok?

Valeu mesmo.

Estágio para o inverno.

Hoje foi o primeiro dia do ano que geou no Rio Grande do Sul, especificamente em Bagé.

Em Porto Alegre o dia amanheceu com um céu azulzíssimo, sem resquício de nuvem.Sol brilhando. E um frio de 10º.
Percebi que os 6 anos morando no Norte e Nordeste do país, com mais os 2 anos de Rio de Janeiro, deixaram-me totalmente desacostumada do frio. Agora entendo o que meus amigos soteropolitanos passam quando vem para o sul.

E como eles mesmos dizem: “Eita frio da p****!”.

E o inverno ainda nem chegou!

Curiosidades gauchescas

(Parei um pouco de falar de Porto Alegre, né? Tá, mas agora eu volto, rs…)

Sou do Sudeste, mas já morei no Norte, Nordeste, conheço o Centro-Oeste (e tenho vários amigos de lá), mas nunca vi tanta particularidade numa região como o Sul, sobretudo neste estado em que me encontro, o Rio Grande Do Sul.

Porto Alegre é uma cidade grande, capital importante do país, mas ainda preserva algumas coisas de cidade pequena, do tipo: estabelecimento que fecha na hora do almoço e em pleno Centro da cidade, abrir nada aos domingos (exceção feita aos shoppings, mas, mesmo nestes, não é tudo que abre) e dispor de raríssimos lugares 24hs (descobri isso sábado passado, voltando de uma festa e rodando, por mais de 1h atrás de uma cafeteria, tipo o Fran’s café. Nada. Voltei pra casa sem tomar meu capuccino). Mas a gente vive, viu…Somos seres absurdamente adaptáveis (liçãozinha que já aprendi, obrigada). Ah, claro, todo esse modo de ser tem a ver com a cultura local, que por sua vez está relacionada com a história da construção deste estado. Cada um com seu cada qual.

Mas preciso fazer um destaque ao linguajar daqui. Não, eu não estou me referindo às obviedades das expressões “tchê”, “bah” ou “guri”. O buraco é mais embaixo.

O porto-alegrense, de um modo geral, fala bem rápido. A equação : rapidez+cantado da fala+regionalismo resulta em algo desafiador para quem é de fora entender. Até eu me acostumar (e ainda estou em processo), passo por 2 situações: ou finjo que entendo, ou peço pra repetir. Mas sabe, isso não me chateia, na verdade eu adoro esses sons novos que estou conhecendo (e eu achando que já conhecia como gaúcho falava, pffff…).

Compreender o que significam certas palavras e expressões daqui é, guardadas as devidas proporções, enfrentar o mesmo processo de aprender uma nova língua. E aprenda, viu, porque todos falam, do menino que toma conta do carro na rua ao diretor do banco, passando pela sua vizinha e o cabelereiro.

Espia só:

Torrada: pão com queijo e presunto tostado, o misto-quente.
Cusco/Guaipeca: cachorro . Expressão muito usada no último verão aqui: “Mas, bah, hoje tá um calor de abanar cusco!”
Mu-mu: doce de leite
Mosquear: dar bobeira, não prestar atenção.
batida: não é aquela com álcool, é aquela que no resto do país se chama vitamina, tipo: vitamina de mamão com leite, de banana…
A la putcha: ouvi só duas vezes, significa quando alguém faz algo de forma alucinada, louca.
Vazio: você vai comer no restaurante e o garçom te oferece vazio. É carne de boi, o que em outros lugares chama-se fraldinha.
Espeto-corrido: rodízio (de churrascaria. Entendeu? O espeto é corrido, porque corre entre as mesas, rsrs… brincadeira)
Hydra ou hidra (não sei porque nunca vi escrito): descarga do vaso sanitário. Isso eu sei porque precisou trocar a daqui de casa e até eu entender que o pedreiro estava falando da descarga, foi todo um processo.
Tatu: parte da carne do boi que em outros lugares se chama lagarto.
Salsichão: linguiça. Qualquer tipo (ok, tem gente que fala linguiça, mas a maioria fala salsichão)
Brigadiano: policial militar
Lomba: ladeira, subida. Uma das frases que ouvi ao pedir informação na rua: “Tu sobe aquela lomba, vira à direita, segue reto até tu chegar na outra lomba e aí pronto, tu já chegou!”
Mãs: não é mas. É mããããããããss…(acho bonitinho! :D)
Tu vai í no banco? : Você vai ao banco? Você irá ao banco?
ximia: geléia, só que mais pedaçuda, uma delícia.
Negrinho e branquinho= brigadeiro preto e brigadeiro branco, sem coco.
Capaz! : é o “que é isso! imagina!”. Exemplo: você pede um favor qualquer à uma pessoa e pergunta se não vai atrapalha-la e ela responde, toda prestativa: “- Capaz!” (ou seja, ela não vai se incomodar). Pode ser também em tom de “não acredito!”, exemplo: “Tu sabe que a gasolina vai aumentar de novo?” e o outro responde: “Capaz!” . Super comum.
Escangalhado: destruído, em estado lastimável.
Daí, Tchê!: É cumprimento, como “Oi, tudo bem?” Muito corriqueiro também.

E por aí afora.

Outra curiosidade é a forma como eles te dizem o preço das coisas. Se algo custa R$20,40 dizem: “custa vinte com quarenta”. Na primeiríssima vez que vc ouve isso, naqueles primeiros segundos em que processa a informação, pode até achar que o preço é R$ 60,00 (20 com 40 = 60). Foi assim comigo. Mas depois a luz se fez e eu entendi que eram vinte reais e quarenta centavos.

Eu adoro observar essas diferenças e ando nas ruas muito atenta aos falares, aos modos… É muito enriquecedor, e claro, divertido, interessantíssimo! São essas especificidades que fazem do porto-alegrense ser o que é, é isso que lhes dá o tom, o charme. E eu vou só agregando, cada vez mais, coisas à minha bagagem cultural.

Ah, você quer saber se eu já peguei algum desses modos de falar?
Capaz!

Ovos de Páscoa do Grêmio e do Inter. Aqui tem pra todo mundo!

Para meus amores distantes

Existe uma rede de supermercados aqui em Porto que faz, todo ano, um comercial homenageando a cidade. Amanhã, dia 26, é aniversário do meu irmão (ê, Digo!) e também de Porto Alegre (237 anos). Vejam o comercial que a rede Zaffari produziu e está passando na TV daqui. Mostra diversos pontos da cidade. Quando vocês, meus amados distantes, vierem passear por estes prados, prometo levá-los à cada um desses lugares, podem me cobrar!

Em Porto (lindo) Alegre…

Então, cheguei na minha nova morada, Porto Alegre. Depois de uma viagem que durou 3 h a mais que o previsto (congestionamento nas estradas na volta do feriado não é privilégio só de paulistas e cariocas), entramos nessa cidade – que nos recebeu num domingo quente, com um sol pleno, que iria se por somente às 9 da noite.

Aqui vão as primeiras impressões:
– Cidade bonita, limpa, algumas partes me lembra muito São Paulo, como o Centro.
– Gente bonita, muito bonita.
– Comida perigosa de tão boa (muito auto-controle…)
– Trânsito meio nervoso.

Por enquanto é isso. Estou no fim do meu segundo dia aqui, e as coisas até agora deram certo. Tudo bem que ainda não tenho casa, mas isso é só um detalhe…

Esses primeiros dias são agitados, porque são dias de reconhecer o lugar, explorar as ruas, tentar se localizar. Estamos naquela fase de nos perder a todo momento pelas ruas, pedir informação, dicas, orientações… Não sei quando vai passar, em cada cidade esse tempo é diferente, pois cada uma, bem.. é uma.

Ah, já descobri um café bem gostoso, o Café do Porto. Tem um expresso super saboroso e um cheese cake de romeu e julieta criminoso (que experimentei num momento de auto-controle mode-off).

nham-nham

Amanhã conto mais. Beijim