Notícias de algum ponto deste elo perdido…

Não morri, nem fui abduzida. Tô com o pé na estrada, só isso, aproveitando para conhecer os caminhos desta terra em que me encontro. Quanto mais ando por aqui, mais constato que o Rio Grande do Sul é uma terra muito diferente, de cultura singular, cuja origem vem da miscigenação do europeu com o índio e o gaúcho platino; enfim, resumindo a ópera, esta terra é praticamente um elo perdido entre a Alemanha, Itália e Brasil. Você se depara com muitas surpresas à medida em que vai ‘desbravando’ as cidadezinhas e vilarejos escondidos pelo interior deste estado! Falas muito diferentes que começam  em algo parecido com alemão, passam pelo italiano e acabam no tchê gaúcho. Paisagens inusitadas, bucólicas, invernais e lindas… Gente de bochecha cor-de-rosa te recebendo sorrindo, numa forma simples e rústica mas, de alguma forma, delicadamente sofisticada. Tirando o frio de renguear cusco*, essa terra é uma delícia, surpreendente, cativante. Agora me deem licença pois vou ali, tomar mais um gole de vinho. Volto logo mais, com historinhas na ponta dos dedos… tim tim!

*renguear cusco: termo utilizado no sul para definir frio (ou calor) intensos, duros de aguentar. Renguear, neste caso, é quando o cachorrinho (cusco), a fim de “poupar” as patinhas do frio, as reveza: anda sobre 3 patas, depois troca uma delas, colocando no chão a que estava ‘recolhida’ e ‘recolhendo’ a que estava no chão. E assim prossegue, alternando as patinhas.

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Pausa na nossa programação

Ô meu amores, lindinhos e lindinhas da titia, não abandonei vocês não, sô. Tô de mudança, lembram? Entonces, a casinha já está nos pampas gaúchos, mas eu ainda estou em terras paulistas (sim, deixei meu Rio 40º semana passada). Estou blogando do pc da irmã, um Lentium.

Dia 02 de janeiro farei como os pássaros. Como já é verão, rumarei ao Sul!(mas vou mandando notícias, podexá!)

Beijim.

Fuuuuuuuuui!

De partida.

Então, gente. Nessa semana farei a minha mudança. A 11ª em 16 anos de casada. Como vocês já sabem, a bola da vez é Porto Alegre, tchê.

Lindo, né?

Como explicar a vocês este processo? Bão, mudança é mudança. Caixas brotam do chão e o barulhinho da fita adesiva lacrando essas caixas, alucinadamente, me dão um pouco de agonia (aliás, aqui no prédio, como tem muita gente no mesmo processo que eu, esse “sonzinho” acaba ecoando pelos corredores, vira “música ambiente” ). Essa fase demanda um ritual: dias antes separo o que não quero mais, o que vou doar e o que precisa consertar. Duas semanas antes, tapetes e edredons foram pra lavanderia. Quero todos cheirosos e limpinhos na casa nova.Também tem que encerrar conta no banco, mandar desligar telefone, luz, Sky, ver se não está deixando nada pendente, etc, etc e etc.

Adoro mudar de cidade, conhecer culturas diferentes, ter um monte de amigos espalhados pelo Brasil, mas ói… Esse período de encaixotar e desencaixotar a casa eu poderia pular. É um stresse. Na hora de embalar sofá, geladeira, estante, mesa, mesinha e mesão tenho que ficar atrás dos embaladores. Mudança que vai longe tem que estar super bem embrulhada,pois com a trepidação da estrada, muita coisa racha, quebra, trinca. Já perdi muitas coisas nesses anos, às vezes penso em me desfazer de tudo, comprar só o básico, bem baratim, prá não ter dor de cabeça se por acaso quebrar a mesa de vidro que eu mesma desenhei. Mas, cara, não tem jeito. Sou canceriana, minha casa é o meu castelo, meus objetos são a minha história e eu tenho que te-los por perto. Então, ‘bora todo mundo prá dentro da caixa.

Ai, tá pesada!

Desço p/ o Sul no primeiro dia do ano. Coisa mística, non? De partida para uma vida nova no primeiro dia do ano. Vamos de carro, que é muito mais legal e também porque eu tenho paúra de avião. Entonces, amores da tia, se eu sumir um pouquinho já sabem. Tô sendo encaixotada ou tô com o pé na estrada.

Ah, se eu gosto dessa vida? Adoro. Aprendo um monte de coisa, conheço muita gente diferente e especial. Me sinto cada vez mais cidadã do mundo.

A gente vai se falando. Beijo.