É só incompatibilidade.

Ás vezes, certas pessoas são tão sutis em demonstrar que não desejam a sua companhia, que a gente chega a pensar que estão passando por problemas. Explicam muito, dão rebuscadas desculpas… Tudo lero-lero.  Pois eis que vos liberto, poupem-se desse trabalho!  Em relação à minha pessoa, acreditem: eu entendo perfeitamente os motivos que levam vocês a não desejarem dividir o mesmo espaço que eu, pois tirando um ou outro fato irrelevante que nos aproxima, não temos nada em comum.  Não vamos nos forçar…  Além disso, lido muito mal com relacionamentos de conveniência. Nada a ver com desgostar de você ou você de mim, mas partilhar fatos da minha vida com alguém, só se der química e eu me enxergar no outro, de alguma forma. E isso não rola entre a gente, certo?

Sendo assim, estamos quites.

Festa de criança à moda antiga.

Outro dia fui a um aniversário de criança,  comemorado num desses buffets especializados em festas para a garotada. Tudo bem colorido, mas bem colorido mesmo, meio psicodélico até. Logo que você chega vem alguém do tal buffet receber o presente pelo aniversariante. Acho estranho essa coisa de não entregar o presente ao dono da festa… Eu tinha comprado algo que era a carinha dele e estava ansiosa pra ver sua reação. Enfim, tive que deixá-lo nas mãos da recepcionista, que mal escreveu o meu nome no pacote e o jogou dentro de uma espécie de baú junto com outros. Bem… Acomodada numa mesa, diante de um prato cheio de salgadinhos oleosos, reabastecido pontualmente por uma garçonete que não devia ter mais que 20 anos e se encontrava bem esbaforida, tentei me entreter com o ambiente. As crianças ficavam de um lado, dispersando-se entre  as atrações daquela mega produção: piscinas de bolinhas, discoteca, vídeo games e etc, etc e etc. Os adultos sorviam a cervejinha, uns poucos olhando seus rebentos (ou fazendo de conta que). Aquilo… Cada um no seu quadrado.

Lembrei das festas feitas em casa, quando eu era criança. Foi saudosismo o que senti.

Meu aniversário de 2 anos.

Aquelas festas,  feitas em casa tinham outra energia. Eram mais acolhedoras. Podiam não ter uma decoração temática tão efusiva como as festas de hoje. Geralmente, só o bolo tinha “tema” e era restrito: florzinha, castelo de princesa, palhaço, carrinho… Podiam não ter piscina de bolinha, mas não deixavam nem um pouco a desejar na diversão.

O bolo era feito por alguém da família, com talento para tal ou, no máximo, por uma boleira conhecida da família. Ok, tinha aquele glacê de gordura vegetal e açúcar indigesto, mas a gente tirava e comia o recheio de doce-de-leite. Decoração era balão (bexiga, na minha terra) e arrumado em grupos de 4 ou 5 espalhados pela sala e só. Escultura de balão não tinha. Mas tinha uma faixa de cartões onde se lia “Feliz Aniversário” em letras coloridas.  Na mesa  do bolo, bandejinhas de brigadeiro, beijinho e olho de sogra, às vezes cajuzinho. Nos cantos da mesa, ficava a repolhuda bandeja de 2 andares sustentando uma linda e farta cascata de balas de côco embrulhadas em papel colorido.  Copinhos, pratinhos e chapeuzinhos, todos de papelão e nem tinha ainda essa moda ecológica. Aliás, os chapeuzinhos tinham um elástico que incomodava a ‘papada’ da gente.  Alguns vinham com figuras infantis, para menino ou menina, mas a maioria era só colorida mesmo.

Nossa… Agora me lembrei de uns enfeites para as garrafinhas de guaraná. Língua de sogra… Por que tiraram as línguas de sogra dos aniversários? As guloseimas não eram variadas, mas faziam sucesso: sanduíches com patê, maionese no copinho ou na barquete, aquela batatinhas redondinhas mergulhadas num molhinho vinagrete, canudinho, casquinha de pão torrada…. Coxinha, risóles de Catupiry, kibezinhos, bah… Isso veio com força depois, bem depois, no início da adolescência, se me lembro bem.

Se houvesse algum adulto com inclinação para recreacionista, ótimo! O entretenimento da garotada ficava por conta dele! Na ausência dessa figura a gente brincava com o que tinha. Lembro que uma vez fui à uma festa de uma amiga da escola e nessa festa tinha um mágico. Achei maravilhoso ter uma festa com mágico!  Passei a desejar um mágico também nos meus aniversários. Só fiquei no desejo…

Receber o presente das mãos do convidado era uma atitude obrigatória para mostrar aos outros a boa educação que eu recebia. Abria o pacote na frente do conviva e dizia “obrigada”, sorrindo.  Mesmo se fosse roupa – como uma criança normal, eu odiava ganhar roupa. Aliás, fazia parte da cena passar pelo constrangimento de ter a mãe sobrepondo a roupa sobre o seu corpo pra ver se servia, hehe. Mas estava tudo certo, desde pequeno a gente aprende que na vida é preciso relevar certas coisas em nome da boa convivência social.

É claro que sei das demandas urgentes que a vida atual nos traz,  e que faz pais e mães caçarem um meio de poupar trabalho na hora de festejar mais um aninho de vida de seu pimpolho. Entendo, porque eu mesma já me vi nessa situação 3 vezes.  Ter quem faça a festa por nós é super confortável, afinal, são horas do dia poupadas em não ter que fazer a massa dos brigadeiros, rearrumar a geladeira para caber as bebidas (ou encher o tanque de gelo para acomodar as que não couberam no refrigerador). Também é bom não ter a boca assada de tanto encher balão, fazer saquinho de lembrancinha…. Mas vai dizer se toda essa preparação não era o melhor da festa?

Também acho que a festa em casa, além de sair mais barata para os pais, mostra à criança outros valores. Se ela ajudar a preparar a festinha, enrolando os brigadeiros, por exemplo, entende a importância de colaborar. Receber os amiguinhos dentro de casa, aprende a partilhar e a ter responsabilidade.  Aí o evento ganha outro sentido, percebe?  E ela (a criança) não vai deixar de ser a estrelinha do dia. 😉

PS: Tirando a primeira foto (arquivo pessoal) as outras duas imagens vieram deste site, que vende acessórios lindinhos pra fazer festinha em casa. Olha só: http://parangolefestas.blogspot.com.br .

Agora para.

Não é que o tempo esteja passando mais depressa. O nosso referencial é que mudou. Assumimos compromissos e responsabilidades, nossas e dos outros. Danou-se o discernimento. Sentimos  pressa de chegar não sei aonde, pra fazer não sei o quê. Achamos que já sabemos de muita coisa e que por isso não precisamos acabar de ler aquele artigo que nos indicaram.  A mente está no futuro, mas o coração preso aos sentimentos passados. E o hoje… O hoje  é o ponteiro do relógio marcando que daqui há 20 minutos você tem que sair.  E só.

Uma palavra apenas…. Duas sílabas: calma.

“Calma tudo está em calma

Deixa que o beijo dure deixa que o tempo cure

Deixa que a alma tenha a mesma idade que a idade do céu…”

 

Conta-gotas.

Marilyn secando os cachos.

 

* Fui ver o filme “Sete dias com Marilyn”  e mergulhei na história.  Certos filmes fazem eco dentro da gente, mesmo quando não temos 1 décimo do glamour retratado neles.

* Preciso me acostumar a dormir cedo. Não há condições de fazer qualquer atividade física com um corpo que pede cama. E preciso fazer atividade física. Mas a mente ainda não se convenceu, apesar de saber.

* Eu tento – e até consigo – conviver com o sistema de pessoas de vida ‘normal’.  Mas minha tribo é aquela que dança, que canta, que  tem no palco seu porto seguro. Ontem eu estive com eles, brindando o fim do dia e o início da noite ao som das notas orientais. E ainda teve uma lua linda…

* Tem um lugar nessa terra que se chama ‘Vale dos Vinhedos’, e fica na serra. Sabe a história de um paraíso chamado Xangri-lá? Então. tenho certeza de que foi escrita ali.

* Tem um livro que eu adoro e que diz que as amizades são conexões imperfeitas. E não é que é isso mesmo?

* Facebook é pior que novela, porque aliena mais. As pessoas passam a fazer coisas pra depois ter o que dizer por lá. Tiram fotos pensando em postar lá. Enchem o saco dando satisfação do que fazem da vida, onde estão, o que comem e o que vão fazer daqui a dois minutos. Como se mundo quisesse saber.  Coisa jeca.  Fica aquele numerozinho aparecendo, na janela minimizada, dizendo que tem atualização pra você.  Atrapalha todo o meu trabalho no Word. Saco.

* Estou sendo irônica no item acima. 😉

* Informação que tive numa aula sobre vinhos e espumantes : quando mais e menores bolhas tiverem o seu espumante, de melhor qualidade ele será.

* Eu não deveria, mas ainda me chateio essa coisa de gente dizer que é minha amiga mas não me responde quando eu chamo. Elas pensam que eu não percebo a sua falta de atenção. Só porque eu sorrio para elas. Sou uma besta mesmo.

* Julguem-me, mas eu adoro a Madonna, por ‘n’ motivos. Mas este último cd… tsc, tsc, tsc…. Ela está ficando preguiçosa.

* Hoje eu tive um sonho no qual para sair de uma casa eu precisava caminhar por espumas bem altas (era booom…) e o meu carro cabia na minha mão.  Um garoto de seus 12, 13 anos abria o portão de madeira para eu sair dessa casa. E eu ranhetava com ele. Significa?

* Aliás, já é a segunda vez que sonho com casa em 4 dias. Olha o meu ego falando com o meu inconsciente.

 

Agora deu. Vou lá ver o que a vida quer.

 

 

A grama do vizinho

Por Martha Medeiros

 

Ao amadurecer, descobrimos que a grama do vizinho não é mais verde coisíssima nenhuma.
Estamos todos no mesmo barco.
Há no ar certo queixume sem razões muito claras. Converso com mulheres que estão entre os 40 e 50 anos, todas com profissão, marido, filhos, saúde, e ainda assim elas trazem dentro delas um não-sei-o-quê perturbador, algo que as incomoda, mesmo estando tudo bem.
De onde vem isso? Anos atrás, a cantora Marina Lima compôs com o seu irmão, o poeta Antonio Cícero, uma música que dizia:  “Eu espero/ acontecimentos/ só que quando anoitece/ é festa no outro apartamento”.

Passei minha adolescência com esta sensação: a de que algo muito animado estava acontecendo em algum lugar para o qual eu não tinha convite. É uma das características da juventude: considerar-se deslocado e impedido de ser feliz como os outros são, ou aparentam ser. Só que chega uma hora em que é preciso deixar de ficar tão ligada na grama do vizinho.

As festas em outros apartamentos são fruto da nossa imaginação, que é infectada por falsos holofotes, falsos sorrisos e falsas notícias. Os notáveis alardeiam muito suas vitórias, mas falam pouco das suas angústias, revelam pouco suas aflições, não dão bandeira das suas fraquezas, então fica parecendo que todos estão comemorando grandes paixões e fortunas, quando na verdade a festa lá fora não está tão animada assim. Ao amadurecer, descobrimos que a grama do vizinho não é mais verde coisíssima nenhuma. Estamos todos no mesmo barco, com motivos pra dançar pela sala e também motivos pra se refugiar no escuro, alternadamente.

Só que os motivos pra se refugiar no escuro raramente são divulgados.
Pra consumo externo, todos são belos, sexys, lúcidos, íntegros, ricos, sedutores.
“Nunca conheci quem tivesse levado porrada/ todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo”.
Fernando Pessoa também já se sentiu abafado pela perfeição alheia, e olha que na época em que ele escreveu estes versos não havia esta overdose de revistas que há hoje, vendendo um mundo de faz-de-conta. Nesta era de exaltação de celebridades – reais e inventadas – fica difícil mesmo achar que a vida da gente tem graça. Mas, tem. Paz interior, amigos leais, nossas músicas, livros, fantasias, desilusões e recomeços, tudo isso vale ser incluído na nossa biografia. Ou será que é tão divertido passar dois dias na Ilha de Caras fotografando junto a todos os produtos dos patrocinadores? Compensa passar a vida comendo alface para ter o corpo que a profissão de modelo exige? Será tão gratificante ter um paparazzo na sua cola cada vez que você sai de casa? Estarão mesmo todos realizando um milhão de coisas interessantes enquanto só você está sentada no sofá pintando as unhas do pé? Favor não confundir uma vida sensacional com uma vida sensacionalista.

As melhores festas acontecem dentro do nosso próprio apartamento

***

 

Sim, gosto do que a Martha escreve, e sim, me identifico pacas. E acho que não estou sozinha.

Ajeitadinha.

Um post só pra dizer que estou mexendo no layout do blog….Enjoei do antigo visual, estou numa fase melhor, quero mudar aqui também. Pode ser que esse fique, pode ser que não.

Também já estou rascunhando um post novo. Daquele jeito, falando de coisas boas que a gente não quer esquecer.

Cheirinho de lavanda pô cê.

Samba de roda é feito pra gente sorrir.

Hoje venho contar a vocês uma coisinha…
Certas coisas são muito difíceis de descrever, mesmo que a gente domine bem a regência das palavras.
Há poucos anos, quando ainda morava em Salvador, fiz uma oficina de danças folclóricas do norte e nordeste, e dentre essas danças havia a delícia do samba de roda do recôncavo baiano.
Quem deu essa parte da oficina foi um grupo de baianas da cidade de Saubara, uma cidade do interior da Bahia. Senhoras alegres, fartas em todos os sentidos e bem sérias na hora de passar os conhecimentos e a cultura de sua gente.
Ensinaram “à gente da cidade grande” o molejo sossegado e compassado desse tipo de samba. E  “a gente da cidade grande” teve mesmo que rebolar pra fazer aquela simplicidade de movimento. É porque coisa simples é assim mesmo, tem manhas e segredinhos pra ser entendida em sua plena verdade.
Tenho saudade dessa vivência e de vez em quando escuto uma leva de samba de roda, resgato os passos que aprendi, mas ainda sem a competência e naturalidade daquelas senhoras.  Recentemente encontrei um vídeo da Mariene de Castro, minha cantora baiana preferida (e que todo mundo deveria ouvir, pelo menos, 1 vez na vida), que mostra um pedacinho de um show que ela fez no TCA – Teatro Castro Alves, um dos mais lindos altares da Arte que já conheci. Então… Nessa ‘palhinha’ achada na internet tem Mariene cantando lindamente um pout-pourri dos mais alegres sambas de roda que existem, “a bordo” de um pratinho e uma faca, o tal do instrumento improvisado nos terreiros de samba do recôncavo. Também está lá a energia leve e colorida do samba de roda, e de sua gente sorridente. Foi irresistível vir aqui e mostrar isso pra você.

Escuta essa voz, sente esse ritmo, observa esse arrastar de pés e o balanço do corpo… Também não se acanhe se o seu corpo responder ao som. Deixa vir, que isso alegra a alma, colore a vida.

Com vocês: Mariene, as baianas e o samba de roda.