Costura

Mesmo com linha grossa e nós mais apertados, sempre solta um pontinho desfazendo esse trabalho.

a40bd7c58c950ff5e1db1dbf8c8f2fc2

Anúncios

Das coisas que ele tanto gostava…

Caso não tivesse acontecido o que aconteceu na data de hoje, há 68 anos, esta que vos fala simplesmente não existiria….

Meu pai nascia nesse dia, na então pequena cidade de Atibaia… Loirinho, lindos olhos verdes, um temperamento manso, descaradamente brincalhão, honesto… Tão honesto que engolia muitos “pepinos” quando deveria ter atirado-os longe. O coração um dia reclamou. Triste foi que ele não teve tempo nem de negociar. Negociar…. Justamente uma das coisas que ele fazia tão bem, sobretudo se o negócio envolvesse números.

Das coisas que ele gostava – como futebol, viajar, contar piada, comidinhas de boteco (gosto que também herdei) – música era  uma delas. Dizia  até que existem cantores que  devem ser apenas “ouvidos”, outros que eram para ser “vistos e ouvidos”.  Não sei de onde ele tirou este critério, mas concordo quando penso em alguns cantores (as) que existem por aí…  Mas voltando, dentre os que são para serem vistos e ouvidos, Gal Costa era sua preferida. Segundo ele, Gal tinha um cristal na voz… Achei linda a simbologia.

Certa vez, ele me disse que um de seus cantores preferidos chamava-se Dick Farney. Artista da velha guarda, eu não conhecia, pois tal referência musical pertencia à juventude do meu pai. Quis presenteá-lo com um CD do cantor, fui à procura, mas na época não encontrava de jeito nenhum. Então o tempo passou, outros presentes vieram e a ideia de presentea-lo com uma obra de seu estimado cantor, passou – ou foi substituída por outras que julguei mais “necessárias” na época.

Hoje eu não tenho mais como presenteá-lo com um cd, nem com qualquer outra coisa material. Mas se meu pensamento, cheio de carinho e de gratidão por tudo o que fez por mim, conseguir chegar até onde ele está, receberá também,  como ‘anexo’, a música Copacabana, cantada pelo Dick. Porque foi o lugar onde passamos seu último reveillon… porque ele adorava praia e cantarolava essa música enquanto caminhava pelo seu calçadão… porque tudo ali tem muito a cara dele…

(Saudade interminável  de vc, pai…)

 

 

 

Ler é como comer, ou a relação entre comida e literatura.

Como você se sentia, em sua época de escola, ao ter que ler um livro obrigado pelo professor?

Feliz e sentindo que era o seu grande momento na vida escolar?

Puxa, que bom. Receba minhas congratulações. Mas acho que esse post não deverá servir à você. Se quiser pode parar de ler por aqui, pois talvez ache enfadonho o que eu trouxe hoje.

Caso você não faça parte do time acima, tem grandes chances de se identificar com o que Rubem Alves diz para quem se viu, pelo menos 1 vez na vida, às voltas com uma literatura difícil de ser ‘digerida’.

Rubem Alves, fofo!

Abaixo temos um fragmento de O prazer de ler. Sinto pena em ter que recortar o texto e trazer-lhes apenas algumas partes, pois Rubem Alves é para ser lido inteiramente, apreciado em cada vírgula, cada expressão. Mas fica aqui a isca para que você sinta vontade de descobrir este grande ‘cozinheiro das palavras’. A bibliografia está lá embaixo.

Pronto(a)? Então acomode-se e desfrute…

O prazer de ler
(fragmentos)

Ler pode ser uma fonte de alegria. “Pode ser”. Nem sempre é. Livros são iguais a comida. Há os pratos refinados (…) e há as gororobas, malcozidas, empelotadas, salgadas, engorduradas, que além de produzir vômito e diarréias no corpo produzem perturbações semelhantes na alma. Assim também os livros.
(…)
Contra os professores de literatura que gostam de ser durões e argumentam que há muito livro duro de roer (a própria expressão está dizendo: nem é de comer; é de roer; objeto apropriado à dieta de ratos e castores) eu cito Borges”(…): ‘Não é preciso bibliografia. Afinal Shakespeare desconhecia completamente a bibliografia shakespeariana. (…)Por que vocês não estudam diretamente os textos? Se tais textos lhes agradam, ótimo. Caso contrário, não continuem, pois a leitura obrigatória é uma coisa tão absurda quanto falar em felicidade obrigatória’.

Quando minha filha começou a fazer suas primeiras incursões no campo da literatura adulta(…)ela teve de ler, como tarefa de casa, o livro de Stendhal O vermelho e o negro (1830). Trata-se de um desses livros duro de roer, tradução do francês, que provocou as mais variadas convulsões estomacais-cerebrais não só em minha filha como também em seus colegas de classe (…) obrigados a comer à força aquela terrível refeição de jiló cozido e nabo cru. Escrevi para o jovem professor (os professores jovens são terríveis; eles ainda não se desembaraçaram do cipoal de teorias aprendidas na universidade, têm sempre muita coisa a provar, e acreditam demais no que pensam saber) falando do meu amor à literatura, de meu desejo de que minha filha aprendesse o prazer da leitura, citei Borges e sugeri que havia uma infinidade de outros livros que seriam de paladar delicioso aos adolescentes(…). Ele me respondeu, imperturbável, que seu objetivo era desenvolver uma consciência crítica e que os alunos teriam mesmo de mastigar, engolir e digerir o jiló cozido e o nabo cru. E assim foi.

Percebi que ele era professor. Traduzido em nossa linguagem gastronômica: ele não era um cozinheiro; era um dieticista. É preciso que se saiba que cozinheiros e dieticistas, embora ambos envolvidos em cozinhas, são inimigos radicais. (…) Os dieticistas estão interessados em alimentar de maneira científica aqueles que comem. (…)Sua presença é indispensável em hospitais, e ali se encontram como auxiliares dos médicos e enfermeiras. Os cozinheiros, ao contrário, não estão interessados em alimentar. Estão interessados em produzir prazer e felicidades. (…) A culinária é o kama-sutra da boca (…) cozinheiros são auxiliares dos amantes. A comida que sai das mãos do dieticista é uma coisa de necessidade. A comida que sai das mãos do cozinheiro é uma coisa de amor.

Ele era um professor de literatura. Não era um escritor.

(…) Um escritor não escreve para comunicar saberes. Escreve para comunicar sabores. O escritor escreve para que o leitor tenha o prazer da leitura. O texto tem que me dar provas de que me deseja, dizia Barthes. O texto me deseja? Coisa gastronômica: o prato tem de ser uma provocação do desejo. A prova de que o texto me deseja está no prazer que ele produz em mim. Quando sou forçado a interromper a leitura, fico triste. Essa é a prova do prazer que o texto me causa. Que professor se atreveria a perguntar, numa prova: ‘Você fica triste quando para de ler o livro?’

É possível, nas escolas, dar informações sobre a literatura. Mas não é possível ensinar a amá-la.(…) São raros, raríssimos, aqueles que pelo estudo escolar (…) tenham sido levados a amar a leitura. A razão para isso é simples: tudo, em nossas escolas, está orientado no sentido de testar saberes. A questão do amor pelo objeto (…) é estranha aos nossos objetivos educacionais. Não admira que, passados os vestibulares, quase tudo seja esquecido e os livros sejam esquecidos nas estantes. Às escolas e aos pais poucam importa o prazer que o aluno possa ter. O que importa é o boletim.

Ler pode ser uma fonte de alegria. Por isso mesmo tenho dó das crianças e dos adolescentes que, depois de muito sofrer nas aulas de gramática, análise sintática e escolas literárias, saem das escolas sem ter sido iniciados nos polimórficos gozos da leitura. É como se lhes faltassem órgãos de prazer. São castrados.(…) Sabem ler mas são analfabetos. Porque, como dizia Mário Quintana, analfabeto é precisamente aquele que, sabendo ler, não lê.”

É preciso falar mais? 🙂

Bibliografia:ALVES, Rubem. Entre a ciência e a sapiência: o dilema da educação. Ed. Loyola, 14ª ed.São Paulo.

Segura a onda, menina.

Um conselho para as minhas lindas amigas solteiras, que tanto reclamam da falta de comprometimento dos homens quando o assunto é relacionamento sério: Segurem a sua ansiedade e disfarcem a sua carência.

Os homens ficam confusos diante de uma mulher que expõe tanto sua necessidade em tê-lo. Um homem confuso não reage, ou reage mal, geralmente magoando a mulher. Eles gostam de sentir que te conquistam, como se você mostrasse que ainda não está 100% na dele. Não é discurso sexista, não. É questão da natureza masculina ser diferente da feminina. O cromossomo deles tem tesão pela conquista, pela busca, pelo desbravamento. O nosso, pela segurança, pela capacidade de gerar e prover.

Tentar inverter essas coisas pode não dar muito certo. Pensa nisso.

Intervalo

Eu juro que queria vir falar de coisas leves, legais prá vocês.
Mas galera, ainda não está dando….
Mesmo assim, escrever aqui é aliviar um pouco o que eu sinto, é, de certa forma, negociar com a dor.

Eu estive pensando muito na forma como a vida caminha. Penso nas pessoas que cruzam o meu caminho, nas que deixei partir, nas que briguei e até hoje não me reconciliei, nas que eu ajudei, nas que me ajudaram, daquelas que eu nunca me esqueço, independente do tempo. Penso naquelas que já se foram, naquelas que eu morro de vontade de ver de novo, naquelas que eu vejo hoje e as que eu posso nunca mais ver – embora, lá no fundo, considere a expressão ‘nunca mais’ muito exagerada.

Não admito a hipótese de que todas essas pessoas que encontrei ou reencontrei tenham aparecido por acaso. Existe um porque para isso tudo. Posso nem saber qual seja num primeiro momento, mas que ele existe, existe. Também sei que tenho um pouquinho de cada uma delas em mim; assim como eu, de alguma forma, fiquei nelas.

Daí então eu lembro das coisas que eu queria ter dito e deixei passar.

Mas não vou mais fazer assim não.

Palavra guardada dentro da gente mofa, cria teia de aranha, ocupa espaço. Palavras são feitas para serem ditas, mesmo que não sejam doces. Há sempre um jeito de se dizê-las.

Ah, mas também tem uma coisa… Só digo quando encontro ouvidos que desejam me ouvir. Nada pior do que a indiferença de quem parece lhe escutar. Disperdício de energia.

Veja se com você acontece a mesma coisa: prá mim, parece que tudo aconteceu ontem. Bem, quer dizer, esse ‘ontem’ não fica tão perto quando eu me lembro de tudo o que eu já fiz nessa vida. Mas quando eu me recordo dos fatos, ainda sou capaz de sentir os sentimentos que sentia. Por exemplo, a Manu está com quase 16 anos mas eu ainda me lembro da sensação dela se mexendo quando ainda estava dentro da minha barriga – e era uma sensação fantástica!

Então, não é uma burrice ficar perdendo tempo com coisas que não te movem internamente, ou que fazem a tua vida enroscar? Estamos aqui hoje, amanhã podemos não estar mais. Fez o que queria nesse meio tempo? Falou o que teve vontade? Foi fiel à si mesmo?

Dá o devido valor a quem realmente DEMONSTRA se importar com você?

Quando você estiver diante de uma pessoa que lhe é especial, diga. Se sentiu saudades, diga. Se amou ou se ama, diga (todo mundo adora saber que é amado, não é assim com você?). Se ficou bravo com o que lhe fizeram, reclame, mas tente compreender, você também é imperfeito. Se brigou e sente vontade de se reaproximar, tente. Pode ser que não dê certo, afinal, cada um tem seu tempo, mas você se sentirá melhor. Se algo ficou pendente, resolva. Não empurre nada para o amanhã, ele pode não chegar prá você ou para a pessoa.

Não disperdice as oportunidades que aparecem diante dos seus olhos.

Uma das coisas que me deixa tranquila com a partida do meu pai, é a certeza de que ele sabia que eu o amava. Você nem imagina o quanto isso conforta.

O amor que a gente manda, volta prá gente.
Beijos e que nossa semana seja linda.

Fale. Verbalize. Mas seja consciente do que sai da sua boca.