Voltando pra casa.

É tempo de estudo, de criação, de inspiração e transpiração. O palco me espera e eu estou roxa de saudades dele!

 

Anúncios

E assim foi o reencontro com a Dança Cigana.

Demorei a vir postar hoje porque quero falar sobre a minha 1ª aula de dança cigana e pensei em iniciar este post com uma palavra que definisse essa primeira aula… Contudo, entretanto, todavia, por mais que eu vasculhe o meu vocabulário, não encontro nada que nomeie o que eu senti ontem.

A escola fica em Novo Hamburgo, à 45, 50 minutos de Porto Alegre, chama-se Casa Z. Fui na companhia das flores Samy e Lucy (que foi uma graça vindo p/ POA apenas p/ me ensinar o caminho!). A energia da Casa é muito particular, não parece uma escola. Parece que vc está entrando na casa de alguém que já conhece (ou conhecia mesmo? rs…). Uma parede amarela com duas lindas rodas ornamentadas de flores e fitas de cetim coloridas, o teto recoberto de vários panos, como uma tenda, e o cheirinho de incenso suave no ar, abraçando a gente. E numa das paredes, essa bela imagem:

Sayonara, a professora, é um capítulo à parte. Veio nos receber na porta, com um abraço apertado e foi aí que eu constatei que estava mesmo num lugar especial. Nos apresentamos e a empatia rolou de imediato. Ela achou que eu tinha feições ciganas e me perguntou se já havia feito aula alguma vez. Disse que não e expliquei rapidamente minha estrada na dança. Sabem…Me inquieta esse tipo de observação que ela fez, pois já ouvi a mesma coisa de outras pessoas, normalmente depois que me veem dançar. Não tenho ascendência cigana na família, mas sempre me senti atraída pela vida e história desse povo, e quando pequena adorava ir p/ o Carnaval vestida de ciganinha, lembro que me sentia a própria! (No fundo, bem no fundo, eu já sabia que tinha mais afinidade com a dança cigana do que com a dança do ventre. É quase uma coisa espiritual… Mas isso fica aqui, entre a gente tá?)

Então, cada uma de nós pegou uma grande saia num baú (todo florido, precisam ver!), vestiu e Sayonara nos levou para um passeio. Passeamos pelas danças ciganas da Índia, da Rússia, da Turquia, da Romênia e da Espanha. Juro pra vcs, não teve 1 música que eu tivesse achado mais ou menos. A pulsação existente nessas canções te envolve de uma maneira tão forte que quando você vê está girando e gesticulando como uma cigana, sem ao menos ter recebido uma orientação prévia de como é esse gestual. Aí eu percebi algo que Sayonara me confirmaria depois da aula: para se aprender a dança cigana, é preciso, primeiro, sentir a sua proposta, sua essência, sua alma. Quando isso está entendido é que partiremos para a técnica. Fantástico. (Penso que se na Dança do Ventre a coisa caminhasse dessa forma, não teríamos tantas reclamações sobre a falta de sentimento existente nas performances que vemos por aí.)

Ah! Soube que a cigana DE VERDADE nunca mostra a barriga e nem as pernas – por isso ela usa muitas saias ou uma calça por baixo. E em algumas regiões, as casadas usam lenço no cabelo. (huuum… Já me vejo à procura de lenços, hehehe)

A sala não tem espelho, o que achei ótimo, e as danças foram feitas em círculo, com interação entre todas nós. Muito bom, muito gostoso, muito feminino. Me senti entre velhas conhecidas…

Eu andava muito triste nesses últimos dias e ao sair da aula me senti leve, bem humorada, refeita. E mais do que isso, tive a sensação de estar fazendo algo que devia ter feito há muito tempo. Bem… Acho até que isso já estava ‘escrito’.

Beijos de uma Vivi “gitana”.