Curvas não.

Minha talentosa colega Shaide Halim trouxe em seu blog a notícia sobre a censura que sofreu um comercial americano de lingeries para mulheres gordinhas. Achei necessário divulgar essa notícia também aqui, afinal, já passou da hora da sociedade (entenda-se cabeças da moda e mídia) rever os conceitos e regras que estipula para os corpos femininos, se é que tais ‘mandos e desmandos’ deveriam existir.

O comercial censurado pelas emissoras FOX e ABC é este:

O pretexto para a tal censura foi a alegação de que a propaganda revelava ‘demais’ o corpo da modelo (lindíssima como puderam ver) e exibia uma sensualidade excessiva. A verdade nós já sabemos: as curvas da bela modelo foge dos padrões mercadológicos instituídos pela indústria da moda(e reforçada pela mídia), que exigem um corpo feminino esquálido, notadamente, muito distante da realidade da maioria das mulheres.

Ficam as perguntas:

– E se fosse uma modelo magra?
– Por que é tão forte esta ‘campanha’ que nega as formas naturais do corpo feminino?
– E por que negar essa formas? O que há nelas que incomodam tanto?
– Quando a mentalidade irá evoluir?

Sério isso.

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Youtube e a nova forma de contestação adolescente.

Cara, eu não sei mais viver sem internet, confesso e assumo aqui a minha fraqueza diante desta ‘divindade’.

Canais como o Orkut, Twitter e Youtube são verdadeiras vitrines humanas. Certo que, como vitrines, expõem de tudo, do mal ajambrado ao exemplar de rara beleza. Mas quando a pessoa sabe fazer bem o uso de uma câmera e mostra algo no mínimo interessante, corre o risco de se tornar tão popular quanto qualquer outra celebridade de televisão, guardadas as devidas proporções (ou não, né?).

Olha um exempo do que está vindo por aí. Ok, é cedo pra dizer se eles se tratam de um exemplo de provável celebridade, mas que serão comentados, serão.

Descobri esses garotos através do blog da Rosana Hermman, são os Vagazóides (o nome é meio bobinho, meio comunzão). São dois meninos que não devem ter chegado ainda nos 20 anos e como qualquer adolescente trazem um discurso de rebeldia contra o que está estabelecido na sociedade. Normal. Mas a forma como fazem este discurso é dinâmica, não é evasiva ou embromada, enquadra-se bem nos moldes que a linguagem na web exige (onde até os palavrões cabem no contexto e no perfil dos meninos). Sendo generosa e levando em consideração a idade dos garotos, posso ver até um traço de maturidade precoce nas falas, rs.

Eles tem um canal no Youtube,sugiro que vc veja os outros video da dupla.

O que vc diz a respeito?

Falemos de comunicação na dança.

Prontos e prontas para mais uma reflexão sobre dança? Então vamos lá!

A primeira coisa que leva uma pessoa a dançar é o seu desejo de expressar uma emoção, qualquer uma. Depois é que vem os outros motivos. Isso acontece porque a dança funciona assim, como um escape, um canal por onde a emoção é exaurida. Por isso que ficamos tão felizes e plenos depois de dançar e é, sobretudo por isso, que dançar vicia tanto.

Mas se a dança é um canal de expressão, logo é de comunicação. Expressar é falar. Se você fala algo engraçado, as pessoas riem. Se você fala algo triste, provavelmente vão se entristecer. Quando você quer impressionar no seu discurso, procura as melhores palavras e frases que conhece e manda ver. Resumo da ópera: tudo o que você expressa, põe para fora, tem uma resposta.

Pois bem, o processo de construção de uma coreografia é como elaborar um discurso, mas com o acréscimo de um elemento: a música. Na dança quem dá o tom do discurso é a melodia. Digamos assim, que ele funciona como a entonação… Dependendo de como modulo a minha voz, posso dizer uma mesma frase expressando sentimentos diferentes. Por exemplo, experimente dizer “tenho tudo o que quero” transmitindo os seguintes sentimentos:

– ironia
– satisfação
– dúvida
– reflexão

Cada frase saiu com um tipo de modulação, não é?

Da mesma forma, na música podemos encontrar diversos humores ou a variação de um mesmo humor. Como exemplo, vou dar a música Tales of Sahara, que amo de paixão e a qual considero riquíssima em variações rítmicas.

Considerando que a tradução literal do título da música é “Contos do Sahara” logo imagino um rol de estórias vividas pelas areias daquele deserto, com personagens das mil e uma noites, que vivem dilemas amorosos, existenciais, que perseguem ou são perseguidos, enfim, toda sorte de enredo que já conhecemos. Mas agora é que vem a melhor parte…Eu, bailarina, é que sou a narradora dessas histórias. Eu sou o elo entre o público e a música.

(Já pensou em ouvir essa música sob esse ponto de vista? Sim, eu sei que vc já cansou de ouvir Tales of Sahara. Estou propondo uma nova forma de entende-la, apenas.)

Então, voltando…. Como “contadora” de histórias, qual seria meu maior desejo? Que meu público ficasse atento à minha narrativa! Mas não só isso… Quero que ele consiga visualizar as cenas que eu descrevo ou que identifique os sentimentos que exponho, porque reconhece esses sentimentos dentro de si mesmo. Percebem? Essa é a mágica! No final desse ‘conto melódico’ todos estarão com você gravada na memória, tomados pelas emoções que você fez eles sentirem, porque foi você que os transportou para esse mundo fantástico! Você é a própria Sherazade! kkkkk (desculpem, mas foi inevitável a comparação!)

Então, mas o que quero dizer é que com isso você tem a certeza de que a comunicação aconteceu. E essa é a sua maior tarefa como artista da dança. Garantir a qualidade da comunicação com o seu público. Não estou desmerecendo o esforço técnico, a habilidade dos movimentos, mas dança não é só forma, gente. Aliás, antes de ser forma, ela é comunicação. Me digam, qual é a validade de uma técnica perfeita se ela não passar apenas de forma, da meticulosidade dos ângulos e das meias pontas? Se não tiver o que a vista, ela fica assim, pelada, como um lindo papel branquinho, igual ao que você tem aí, na sua impressora: perfeito na uniformidade de sua brancura, mas clamando por uma tinta que tire a sua apatia!

Papel branco, eu?

Pois é…
Sabe por que eu escrevi sobre isso?

Porque ontem de noite eu estava olhando alguns vídeos de dança do ventre pelo Youtube e em vários deles constatei uma técnica perfeita, mas rostos inexpressivos, ausência de sentimento e falta de comunicação com o público. A música gritava dramaticidade, e as bailarinas ali, com o rosto estático, no máximo um sorrisinho numa parte mais animada, mas totalmente alheias ao sentimento da música. Era a técnica pela técnica. Mas o que mais espanta é que eram vídeos de bailarinas atuantes no mercado, pessoas que ministram workshops, que dão aulas. Achei preocupante.

Opa! Pensei em algo que pode estar passando pela sua cabeça… Você não acha que estou dizendo que precisamos ter a expressividade de uma egípcia, né? Ah, ainda bem, porque egípcias são egípcias, sentem e entendem a vida como egípcias. Eu e você não somos egípcias, somos brasileiras, sentimos e entendemos a vida como brasileiras. E isso não nos tira a capacidade de traduzir a emoção de uma música árabe com a nossa forma de sentir, para o nosso público.

Amores… A comunicação é a essência da dança.

Bem, finalizando e pedindo só mais um pouquinho da paciência de vocês, peço que assistam esse vídeo da mestra Marta Graham, gravando bem as palavras que ela fala logo no início. Tendo tempo, assistam à dança. Obviamente, não é dança do ventre, mas traduz claramente o que eu disse em 15 (!!!) parágrafos.

Beijo e fui.