Passarinho que sai do ninho.

Sinto muita vontade de voltar a ficar perto da minha família – e por família entendo todos aqueles que possuem laços de sangue comigo: não só pais , irmãos e avós como também primos de todos os graus, tios… Existem os laços que não são de sangue e que também constituem uma família, mas assim como os primeiros, esses merecem um post dedicado à tão somente eles, pois são, igualmente, especiais e imprescindíveis.

Voltando, embora estar no seio familiar seja bom e cômodo, reconheço o quanto foi importante para mim sair desse porto seguro. Melhorou o meu relacionamento com todos porque ‘de longe’ foi possível observa-los melhor e compreender o porquê de seus atos. Não ter seu socorro imediato foi o que me fez verdadeiramente crescer e me reconhecer. Como toda saída de ninho, em alguns momentos senti medo, mas não me vi perdida. Tive bases boas, bem construídas e isso fez toda diferença.

É certo que às vezes me pego discutindo com algum deles por enxergar algo que os mesmos não veem – ou veem, mas ainda de forma nublada, atrapalhada. Muitas vezes ouço ‘mas vc não mora mais aqui, não sabe’, numa fala equivocada… Eu sei e como sei. Certas coisas não mudam nunca. Toda família tem uma melodia que toca sempre da mesma forma e que mesmo o filho desgarrado , ops, a filha nesse caso, escuta e sabe acompanhar, mas busca acrescentar notinhas diferentes na conhecida melodia.

Morar longe da família é constatar – felizmente ou não, depende de cada caso – que ela nunca sai de dentro de nós e por isso buscamos, inconscientemente ou não, no rosto dos desconhecidos e nos lugares que vamos, identificações ou lembranças daqueles que nos viram crescer. Morar longe da família é saber viver sem um colo que é sempre certo. É viver consigo mesmo, onde se é, muitas vezes, o colo do colo que queremos ter.

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Retomando a prosa.

Leitores queridos, estou retornando. Ainda escrevo daqui da terrinha, entre um e outro afazer e mala a ser rearrumada (sempre volto com mais coisas do que quando vim). Amanhã você já vai ter texto novo por aqui, embora ainda não saiba sobre o que. Quem sabe uma reflexão sobre o que é morar longe da família, tenho pensando muito nisso nesses últimos dias. Você mora longe da sua? Como se sente ao reencontrar a sua família? A forma de enxerga-la mudou?

Amanhã conversamos, ok? Beijos, fiquem bem.

O homem que veio de Aracaju.

Hoje é níver do irmão, que também é leitor do Balaio!!! Parabéns pra ele, que está chegando nas casa dos enta (rsrsrs, brincadeira, tá longe ainda…), meu parceiro na autoria do hino aos piracicabanos! Quando tinha uns 4 anos ele dizia a todo mundo que não tinha nascido, mas que tinha vindo de Aracaju (não me pergunte o por que). Brigávamos horrores quando éramos bem mais novos, mas agora a gente tomou juízo.

Digo, que você veja muitas vitórias do Guarani nos seus 34 anos! Beijo, beijo!

“Não se nasce mulher. Torna-se.”

Esta frase é de Simone de Beauvoir. Conhece?

Prazer, Simone.

Simone (1908 – 1986), francesa, escritora e filósofa, autora do romance “O segundo sexo”, foi e ainda é uma referência quando a pauta é a questão feminina no contexto social. Através dos romances que escrevia – onde ela mesma se colocava como personagem – expunha seus desejos, êxitos e fracassos, alinhavando todos esses acontecimentos dentro de uma abordagem filosófica, refletindo sobre a força do discurso social na educação da mulher. Foi, sem dúvida, uma mulher muito a frente do seu tempo e por isso mesmo, ainda hoje, suas ideias são consideradas e debatidas quando os assuntos são mulher, família e sociedade.

Para vocês conhecerem ou saberem um pouquinho mais sobre essa mulher, coloco aqui um documentário que narra um pouco de sua história, com cenas onde ela mesma fala. Acho que vale a pena parar e assistir. Ok, o documentário é comprido para os padrões dos vídeos de internet (20 min), mas vale a pena e vc nem sente que leva esse tempo todo. A edição da Globonews caprichou e destaco os comerciais de época ilustrando muito bem a narrativa.

Clica aqui: Simone de Beauvoir .