E éramos todos coloridos (ou o início da adolescência nas festinhas dos anos 80)

Durante toda a minha adolescência morei num condomínio.  O “parque”, como era conhecido, era é imenso, com muita rua e árvore pra molecada se espalhar. E quanta molecada havia ali! Sempre fazendo barulho, gritando, devia ser um inferno para quem quisesse um pouco de sossego, fosse para trabalhar ou dormir. Mas, como eu fazia parte da molecada, não estava nem um pouco preocupada com isso e seguia fazendo barulho também.

Foi nesse condomínio que finalizei minha infância me juntando à essa molecada para as últimas brincadeiras de menina: andar de patins (emprestado, porque eu não tinha), de bicicleta, de apertar a campanhia dos apartamentos e sair correndo escada abaixo (caindo sempre) ou brincar de Susi.  Consequentemente foi lá que iniciei e vivi minha adolescência com todas as neuras e dificuldades dessa etapa da vida: a experiência da primeira paixão, da frustração de não ser correspondida, do primeiro namoro que não teve beijo, das melhores amigas, dos bailinhos*…

Falando em bailinho, me lembrei dos aniversários da Suzana, que eram ótimos e sempre tinham esses bailinhos… A Su sempre foi gente boa, aquela menina que a nossa mãe gosta e diz que é boa companhia pra gente, e ainda por cima tinha um quarto cor-de-rosa que era uma espécie de QG de boa parte das meninas do prédio. Lá, ficávamos ouvindo música, dançando, dublando, fofocando e sobretudo, sonhando… Semana passada ela postou no Facebook uma das fotos de seu aniversário de 12 anos, onde eu também estou, é esta aqui:

Da esquerda para a direita: Larissa, Kitty (atrás), eu (na frente, com a mão no queixo), Camila (antes de virar alemoa), Gabi, Suzana e Luciane, minha prima.

Meu… Que viagem no tempo eu fiz quando vi essa foto! Era meio da década de 80 (84, 85…). A moda era o new wave, e se os mais novinhos pensam que ser ‘colorido’ é modinha atual, se enganam redondamente. Olha a gente aí, com nossas roupas em tons flúor, roxo, laranja, verde, amarelo limão… E ó, a gente achava lindo, nem vem.

Muita gente era convidada para o aniversário da Suzana. Era tipo, “o” evento. Enchia o salão de festas do prédio. Ia a turma do prédio e da escola que ela estudava (e uns meninos grandões, mais velhos, do 1º colegial, rs, que nem olhavam pra gente, as pirralinhas de 12 anos). No aparelho de som “3 em 1”  rolava Duran Duran, Rádio Táxi, The Police, Blitz, Madonna, Michael Jackson estourando com Thriller, Culture Club, Grafitti e seu Mamma Maria, Cyndi Lauper, as meninas do Go Go’s…

(Reparou no jeitnho que a vocalista dança? Não era assim que a gente fazia? Eu fazia assim!)

Uma coisa que eu acho muito legal nos anos 80 e que hoje eu não vejo mais acontecer, é que nessa época os adolescentes não tinham grilos em dançar juntos músicas lentas, além do que isso era uma baita oportunidade de chegar mais perto da paquera sem se comprometer. Ok, hoje dançam o tal do forró e sertanejo universitário, mas não é a mesma coisa, definitivamente.

Mas, voltando ao assunto, ‘ficar’ nos meus 12, 13 anos, não existia. Ou vc namorava, nem que fosse namoro de 2 dias, ou não. Não sei se aí onde vc mora era igual, mas começar a namorar naquela turma era todo um processo. Primeiro você ficava sabendo por uma ou mais amigas, que o garoto que vc gosta também está gostando de você. Então começavam a troca de recadinhos. “Ele quer falar com você amanhã e vai te esperar no bloco F”. Frio na barriga, coração acelerado. Daí a menina respondia, quase sempre: “Não, diz pra ele pra gente conversar na festa de sábado, no salão”. Ô enrolação. Mas aí chegava a festa. Rock/pop tocando e a galera dançando. Você sabia que ele ia te tirar pra dançar assim que a música lenta começasse (e isso seria da metade da festa pro final, quando os poucos adultos presentes já estivessem mais desligados da gente por causa da cervejinha que a gente ainda não tomava). Então alguém decide, por livre e espontânea pressão dos apaixonados presentes, em diminuir a luz e tocar:

(O vídeo original está aqui. A EMI não me deixa postá-lo no blog. Possessiva, humpf!)

Aí vinha o momento tenso para as meninas: “Será que ele vem me tirar pra dançar?”  E o momento tenso deles era “será que ela vai topar?”. Quebradas as barreiras, a dança rolava e podia ser que o pedido de namoro acontecesse ali, ou não, podia rolar um cafunezinho na nuca, ou não. Se o menino gostava da menina e sabia que era correspondido e, mesmo assim, não fazia nada era chamado de “pato”. “Pato” nada tem a ver com aquele jogador, o Alexandre. “Pato” era a denominação carinhosa das meninas sobre os meninos tímidos, que não tinham atitude de chegar na garota e pedi-la em namoro, o que, vamos combinar, consistia num comportamento muito natural quando ainda não se tem 15 anos. Haviam as meninas “patas”também, mas nesse caso, não chegava a ser um defeito como no caso dos meninos, era quase um elogio (quase…).

Quando não tinha aniversário de ninguém a gente fazia festa assim mesmo e aí se chamava ‘bailinho’. Nessa ocasião tinha uma regra: menino levava bebida e menina levava comida (Ops! rs…). Não tinha isso de levar coxinha ou risolis encomendado. Pra petiscar na festa era pão de forma com patê de presunto ou Cheetos. Coca-Cola vinha em vidro de 1 litro e ainda tinha o guaraná Taí (“gostoso como um beijo…”).

Eu tenho muita saudade dessa época. Tenho saudade dessas meninas que não vejo há anos, e muita vontade de reencontra-las. Não quero parecer piegas – já basta esse meu saudosismo incorrigível, mas é inevitável comparar esse início da nossa adolescência com o desabrochar de uma flor, cujas pétalas experimentam pela primeira vez o calor do sol, a umidade do orvalho, o sopro do vento… Tudo era  muito intenso e imediato, embora tivesse também muito medo, sobretudo o de rejeição, o de não se sentir pertencente ao grupo… Eram tempos de ensaios para a vida adulta, mas a gente ainda não tinha consciência disso, melhor, até poderia ter, mas não pensava muito nisso, afinal, existiam tantas outras coisas mais importantes a se resolver.

Como, por exemplo, convencer os pais a te deixarem voltar meia noite pra casa. Isso sim, era uma dureeeeeza…

* ‘bailinho’ era como a gente chamava a festa onde todo mundo dançava, especialmente e com vontade, música lenta.

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Youtube e a nova forma de contestação adolescente.

Cara, eu não sei mais viver sem internet, confesso e assumo aqui a minha fraqueza diante desta ‘divindade’.

Canais como o Orkut, Twitter e Youtube são verdadeiras vitrines humanas. Certo que, como vitrines, expõem de tudo, do mal ajambrado ao exemplar de rara beleza. Mas quando a pessoa sabe fazer bem o uso de uma câmera e mostra algo no mínimo interessante, corre o risco de se tornar tão popular quanto qualquer outra celebridade de televisão, guardadas as devidas proporções (ou não, né?).

Olha um exempo do que está vindo por aí. Ok, é cedo pra dizer se eles se tratam de um exemplo de provável celebridade, mas que serão comentados, serão.

Descobri esses garotos através do blog da Rosana Hermman, são os Vagazóides (o nome é meio bobinho, meio comunzão). São dois meninos que não devem ter chegado ainda nos 20 anos e como qualquer adolescente trazem um discurso de rebeldia contra o que está estabelecido na sociedade. Normal. Mas a forma como fazem este discurso é dinâmica, não é evasiva ou embromada, enquadra-se bem nos moldes que a linguagem na web exige (onde até os palavrões cabem no contexto e no perfil dos meninos). Sendo generosa e levando em consideração a idade dos garotos, posso ver até um traço de maturidade precoce nas falas, rs.

Eles tem um canal no Youtube,sugiro que vc veja os outros video da dupla.

O que vc diz a respeito?