Ele, o frio.

Há 4 dias os termômetros de Porto Alegre tem marcado apenas 1 dígito em seu mostrador. Já passei frio de 5 graus, mas seguidamente é a primeira vez. E ainda tem a tal da “sensação térmica” que faz vc sentir um frio (ou um calor) maior do que aquele que o termômetro indica. No caso, a impressão é a de que a temperatura está negativa. Sobretudo de noite e de madrugada.(ai, de madrugada, brrrr…)

É incrível como você adquire rapidamente novos hábitos no momento em que a temperatura abaixa. Passado o mais urgente que é o da vestimenta, vem em seguida, quase que junto com a primeira, o da alimentação. Seu corpo não quer salada de alface no inverno. Não, não quer. Aliás, tirando caldo verde ou sopa de ervilha devidamente bem quentinhos, nada ‘verde’ te apetece muito nessa época. A verdade é que você deseja um belo prato de massa nadando num molho 4 queijos puxa-puxa, fumegante. Ou um belo chocolate quente, com noz-moscada (experimenta, fica bãããão) e um tiquinho de conhaque. Caldinho de feijão grossinho, com um punhadinho de salsinha por cima (esse tantim de verde alivia o peso da consciência). Cremes e sopas com muito queijo parmesão ralado – na hora, que é mais digno. Café, capuccino cremoso, fondue de tudo. Qualquer coisa que seja quente e tenha gordura pra ajudar a formar a ‘capinha’ lipídica do seu corpo (que vai ajudar vc a se proteger do frio) se torna imediatamente irresistível e você manda pra dentro.

Fazer dieta é uma penitência das brabas. Quem consegue merece muito a minha admiração, respeito pra caramba.

E como tudo nessa vida invernal gira em torno de comida, até para se vestir vc se parece com uma delas, e já vou dizendo qual, a cebola. Assim como a estrutura desse legume, vc tamém passa a ter várias camadas de roupa sobre a pele. E vesti-las é todo um processo. Primeiro você define que o momento em que vai trocar de roupa tem que ser numa hora em que seu corpo ainda está quente, como ao acordar ou sair do banho. Então, antes disso, vc arruma e deixa à mão tudo o que vai vestir, porque não rola ficar zanzando pelo quarto ou pela casa seminu procurando o par de meias ou o moleton de flanela. Aí começa a sua maior atividade física do dia. Primeiro a base: uma calça de lã, que gruda como meia calça e uma blusa tipo segunda pele. Daí vem a calça propriamente dita, que deve ser de tecido grosso (esquece calça jeans. Jeans é térmico, esfria no frio e esquenta no calor). Blusa de gola alta. Outra por cima pra prevenir. Um casado tipo sobretudo. Ou um pala – ou poncho – de lã muito grossa, como a dos gaudérios* (esses entendem de frio!). Vamos para as meias grossas (aqui no sul a gente acha umas ‘fortes’, de trama fechada, adequadas ao clima daqui). Um gorro se vc tiver cabelo curtinho ou frio ‘nazoreia’. Cachecol (cara, cachecol é um trocinho pelo qual vc só dá valor quando tira do pescoço). Luvas. Botas. E põe a mão pra fora da janela pra sentir qual é a ‘potência’ do frio. Resolve que tem que botar uma blusa mais quente, talvez mais um par de meias. Conclui que quase não dá pra se mexer.

Ah! Não esquece de que tem que passar um hidratante ‘responsa’ no rosto, caso contrário ele ‘craquela’ na primeira soprada do vento.

E ainda dizem que ficamos mais elegantes no inverno (eu dizia isso). Não, elegante vc fica no outono, onde um sobretudo aberto por cima de uma blusinha de lá fina, decote em V e um cachecol displicentemente jogado te dão charme. E vc não precisa andar  envergado, de braços cruzados como anda no inverno, você mantém a postura esticadinha. Sim, no outono somos elegantes, no inverno a gente só quer se esquentar!

As pequenas lidas do dia-a-dia também começam a ser vistas de outra maneira… Lavar louça vira castigo. Mas cozinhar é bom, o calor do preparo dos alimentos te esquenta. O inverno também traz a chance de desenvolver a habilidade de digitar de luvas ou seu senso crítico: como que ainda não inventaram um mouse com aquecedor?

Mas a situação só é considerada realmente crítica quando você vive uma sensação igual a que vivi nessa semana: ao abrir a geladeira notei que o clima lá dentro era mais agradável do que o que estava aqui fora.

Ô ‘maravilha’! Brrrrrrrr..

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Estágio para o inverno.

Hoje foi o primeiro dia do ano que geou no Rio Grande do Sul, especificamente em Bagé.

Em Porto Alegre o dia amanheceu com um céu azulzíssimo, sem resquício de nuvem.Sol brilhando. E um frio de 10º.
Percebi que os 6 anos morando no Norte e Nordeste do país, com mais os 2 anos de Rio de Janeiro, deixaram-me totalmente desacostumada do frio. Agora entendo o que meus amigos soteropolitanos passam quando vem para o sul.

E como eles mesmos dizem: “Eita frio da p****!”.

E o inverno ainda nem chegou!