Ostra.

Se você não está nos seus melhores dias… Se nada está saindo como você tinha planejado… Se o telefone tocou, mas não era aquela pessoa te pedindo desculpas pela palavra mal dada… Ou se não era do provável emprego, dizendo que vc tinha passado na entrevista… Se notou que hoje a calça está mais justa e custou pra fechar… Que seu cabelo está começando a ficar branco… Que o seu trabalho não tem nada a ver com você e o salário menos ainda… Que a relação com seu companheiro(a) está mais fria que a ponta do nariz numa noite de inverno… Enfim, se vc se sente triste e incomodado pelo o que está aí, à sua volta, lembre-se:

“ostra feliz não faz pérola” .
(de Rubem Alves. Este vovozinho que eu amo do fundo do coração.)

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Das pessoas que marcam a vida da gente

Sabe quando você sente vontade de falar sobre uma pessoa, mas não sabe por onde começar e quer falar dela assim mesmo?

Pois é. Estou passando por isso neste exato momento.

Nesses dias estava pensando e fazendo um ‘flashback’ do início da minha vida como bailarina do ventre. E não tinha como falar do início sem falar de quem me ensinou os primeiros passos: Ana Luíza Matuck.

A Ana é uma super profissional da dança, formada pela Unicamp onde estudou com uma das melhores cabeças do meio, Isabel Marques. No dança do ventre foi aluna de Soraia Zaied, de Lulu… Tem descendência árabe e, independente de ter sido a minha 1ª professora de DV, é uma das pessoas mais especiais que conheci na minha vida.

De dentro do seu estúdio, em Três Corações, MG, essa moça dá duro, batalha, prá mostrar ao mundo que é possível mudar as coisas sem ter que fazer politicagem suja ou pegar em arma.

Vou confessar… Eu achava que dança do ventre era muito difícil. Quando ela me convidou a fazer aulas (ah, só um detalhe: a 1ª aula seria numa quarta-feira, 7h30 da manhã!) pensei em recusar… “Obrigada, mas não, dança do ventre é lindo mas não é para mim” – enfim, daria uma daquelas ‘desculpas’ que nós, professoras, ouvimos quando estamos diante de possíveis alunas. Mas, como eu estava numa fase de tentar coisas novas, engoli a minha resposta e aceitei. Firme e forte, 7h30 da manhã, de legging e top,ainda sem lecinho no quadril, estava euzinha, lá, pronta prá saber o que me aguardava.

Nessa época, eu passava por um momento difícil na minha vida. Não dançava há uns 5 anos, estava longe da minha cidade natal pela 1ª vez e estava saindo de um transtorno de ansiedade (que me assustou muito na época). Eu sei que dependia de mim sair dessa, mas quem já passou por isso, sabe o quanto uma mão estendida pode fazer diferença. Pois Ana me deu a mão, sem saber. De certa forma, ela me ajudou a me resgatar, a voltar para a dança, que é o combustível da minha alma.

Sempre fui criteriosa na escolha de meus professores. Talvez por isso seja tão exigente comigo mesma quando dou aula. Professor tem que ter carisma, tem que fazer o aluno ‘se apaixonar’ por ele (vcs entendem que não estou falando do sentido sexual, não?). Quando vc se encanta por aquele que lhe ensina, dedica-se muito mais ao que lhe é ensinado. E foi assim com a Ana. Sua paciência, seu carisma, seu humor e seu profundo conhecimento me pegaram de primeira. Nunca faltei a uma aula.

A forma como Ana ensinou-me a dança registrou-se tão forte dentro de mim que até hoje, 9 anos depois de ter sido sua aluna e ter passado por Lulu e vários outros professores de dança, ao dar aulas, não é raro resgatar seus exemplos. Certas coisas ficam para sempre.

Não nos vimos há 8 anos… Nos falamos pelo telefone sim, por mail, orkut, mas nada substitui o olho no olho, né… E se bem a conheço, nesse momento ela está ansiosa, agitada com o espetáculo que o estúdio vai fazer daqui há 10 dias. No fim, tudo dá certo, sempre deu e ela sabe disso. Quando resolve fazer as coisas, faz com primor, com o coração, com a alma. Essa é a sua marca.

E sou sempre, sempre grata à ela, por tudo o que me ensinou e me fez perceber dentro de mim mesma. Que um dia vocês tenham a sorte de conhece-la.

Obrigada Ana, por tudo!

(rs… E acho que acabei sabendo o que falar…)

Ana Luíza

Ana Luíza Matuck