Do cotidiano para o palco

Desenvolver uma obra de alto nível artístico a partir das coisas simples, comuns e despercebidas no cotidiano. O trabalho de Ivaldo Bertazzo parte deste pressuposto: de algo aparentemente tão simples (simples nada, levamos séculos para adquirir esse refinamento gestual), brota um dançarino, um tradutor de emoções… Pode ser você, eu, nossos vizinhos, a moça do café…

Vale muito a pena ver. Aproveita que hoje é sábado e vc está com tempo.

A volta do vovozinho.

José Angelo Gaiarsa é o senhor do post de hoje, e eu, como leitora voraz de psicanálise, sou fã declarada deste homem, o qual chamo, carinhosa e muito respeitosamente, de vovozinho.

Atualmente com 90 anos (!), este médico, psicoterapeuta e psicanalista explica, de forma clara, didática e firme – muitas vezes, contundente – questões que giram em torno do pensamento e do comportamento humano, não pensando duas vezes em citar a si próprio como exemplo. Já falei dele aqui no Balaio logo que comecei a escrever. Na ocasião, trouxe um vídeo fantástico dele. Sugiro, como amiga, que você o assista caso não tenha visto na época. Depois me conta. Duvido que vc não se sinta tocado pelo o que ele diz. Desafio mesmo. O vídeo é esse aqui e nem é demorado.

Hoje, trouxe outra cacetada dele. Nesse, ele fala de sexo, infância, início da sexualidade (e não é na adolescência) e masturbação. São 9 minutos que parecerão 1. Vai na fé. Certeza de que vc vai ter assunto no happy hour de hoje.

E aí?

(Deste vídeo vc vai para os outros (ele tem 7 partes). E Gaiarsa fala de outros assuntos também. Recomendo todos, sem medo.)

Entre o louro e a morena, uma receita.

Gente, vou contar uma coisa. Amo programa de culinária!

Não sou exigente, assisto qualquer coisa. Bastou passar por um canal e ver alguém mexendo numa panela que paro e espio o que está sendo preparado. Quando era adolescente assistia a Cozinha Maravilhosa de Ofélia (não ria! Ela era boa!), anotava a maioria das receitas num caderno que eu mesma fiz (e está vivo, firme e forte na cozinha aqui de casa), depois testava. E olha que ele me salvou em diversas situações, logo que eu me casei.

Ofélia morreu ( 😦 ), veio a era Ana Maria Braga e eu lá, caderno na mão pra anotar as 2 dúzias de receitas que ela dava por dia (na época em que o programa dela durava 4 horas na Rede Record e eu tinha tempo de ver porque não trabalhava, só cuidava da Manu, ainda bebê). O caderno ‘veinho’ ficou lotadinho e lá fui eu fazer outro. Este também está aqui, fazendo par com o caderno velho. Tenho um super vínculo afetivo com os dois!

Livros de receita e vários folhetinhos de mercado depois, fui me aprimorando na técnica laboratorial que é cozinhar e comecei a procurar coisas diferentes pra ver na TV. Foi aí que conheci a Nigella e o Jamie Oliver. Os dois são ingleses e o programa deles passa na GNT, da tv à cabo.

O Jamie é um gato, mostra que cozinhar pode ser uma coisa muito divertida e fácil, mesmo se for prepara um carneiro ao molho de shitake (invenção minha). Ele tem uma forte preocupação com a qualidade dos alimentos e sempre dá dicas de como a gente pode compra-los de uma forma correta e até mesmo econômica. Ah, nem sempre ele cozinha na cozinha. Isso é legal. E ele é gato (ah, já disse isso).

Vasculhei o Youtube de cabo à rabo, mas não achei nenhum programa legendado em português.Então escolhi um onde a receita é fácil e bem conhecida, só para vcs apreciarem o estilo do moço. O programa que passa na GNT é mais produzido, bem acabado e legendado.

Omelete do Jamie:

A Nigella é diferente. Ela prima pela qualidade dos alimentos também, mas ela tem uma relação mais assim, “caliente” com a comida. Lindona, um mulherão, super bem resolvida e não está nem aí se a sobremesa leva 1 kg de creme de leite batido em chantilly; ou seja, não espere ver nada light nas receitas dela. Enquanto ela cozinha, vai dizendo que “adora o verde claro da alface”, ou “o barulho das batatas fritas quando caem no óleo quente” ou “gosta de ver como as claras em neve se misturam ao açúcar”… hehehe, figura. Se isso não bastasse, ela prova tudo o que cozinha, enquanto cozinha! Isso, como a gente faz, na intimidade do nosso lar! (Ora, ora, vá me dizer que vc não raspa a tigela da batedeira depois de fazer um bolo? Nem lambe a colher que mexeu o brigadeiro? Vamos, confesse!).

Neste vídeo ela ensina a fazer uns potinhos de chocolate, numa receita facílima!! Leva basicamente, ovos, gotas de chocolate, açúcar e farinha de trigo. Está em inglês também, não achei nada legendado, lamento… Mas dá pra entender perfeitamente, entonces, relax baby!

E aí, deu vontade de cozinhar?

“Não se nasce mulher. Torna-se.”

Esta frase é de Simone de Beauvoir. Conhece?

Prazer, Simone.

Simone (1908 – 1986), francesa, escritora e filósofa, autora do romance “O segundo sexo”, foi e ainda é uma referência quando a pauta é a questão feminina no contexto social. Através dos romances que escrevia – onde ela mesma se colocava como personagem – expunha seus desejos, êxitos e fracassos, alinhavando todos esses acontecimentos dentro de uma abordagem filosófica, refletindo sobre a força do discurso social na educação da mulher. Foi, sem dúvida, uma mulher muito a frente do seu tempo e por isso mesmo, ainda hoje, suas ideias são consideradas e debatidas quando os assuntos são mulher, família e sociedade.

Para vocês conhecerem ou saberem um pouquinho mais sobre essa mulher, coloco aqui um documentário que narra um pouco de sua história, com cenas onde ela mesma fala. Acho que vale a pena parar e assistir. Ok, o documentário é comprido para os padrões dos vídeos de internet (20 min), mas vale a pena e vc nem sente que leva esse tempo todo. A edição da Globonews caprichou e destaco os comerciais de época ilustrando muito bem a narrativa.

Clica aqui: Simone de Beauvoir .

Uma vida numa canção

Aqui no Rio conheço um dos músicos que toca com grandes artistas da nossa MPB, dentre eles, minha amada Ana Carolina. Dirceu Leite é um músico de M maiúsculo. Falando nisso,gravou recentemente um cd instrumental de MPB, o Cacique Instrumental, que é simplesmente fantástico, ótimo para ser desgustado quando vc quer ouvir música de qualidade.
Dia desses, estava eu num papo musical com o Dirceu quando lhe revelei minha admiração pela cantora Ana Carolina e, dentre outras coisas, eu lhe dizia que ela era, atualmente, a cantora que eu mais gostava. Ele retrucou:

-Ah, você gosta das coisas simples da vida.

É, em parte ele está certo. Mas no que se refere à música, discordei dele (hohoho, que petulância dessa garota…). É que não acho que as músicas que Donana Carolina canta sejam simples. Na minha opinião, ela canta as verdades uterinas das mulheres. Sacomé?Aquilo que não está imediatamente à vista, está subentendido, mas está ali, pulsando, dando trabalho…
Disse então a ele que a música dela é a verbalização daquilo que percorre a mente feminina, daí a identificação. Ele entendeu e complementou que isso explicava o grande número de fãs mulheres que Ana possui.

Bingo, Dirceu.

Uma das músicas que mexe com os meus brios, porque fala de mim, escancaradamente, chama-se “Prá rua me levar”. Me reconheço nessa canção, desde que a ouvi pela primeira vez, há uns 5 anos aproximadamente. É uma música que fala de maturidade, de conhecimento pessoal, de resoluções, de alguém que está pouco se lixando para a opinião alheia….E quanto mais o tempo passa, mais ela tem a ver comigo.
Ei-la:

E a outra que não tem uma vírgula diferente do que eu seja, ou pense.

Vá adivinhar assim lá na casa do chapéu!