Sina de odalisca

– Paranóia com o cabelo.
– Desejo por tatuagem no umbigo ou nas ancas. De preferência, seu nome em árabe.
– Tara por loja de miçanga.
– Fixação em ir na 25 de março, sobretudo na Ladeira Porto Geral, pelo menos 1 vez ao ano(anda, não negue, eu sei que você vai).
– Som que pula. Ou que não toca.
– Caixa com alfinetes na bolsa – eu disse: alfinetes na bolsa.
– Ganhar mimos egípcios, oriundos da lojinha natureba ou da feirinha de artesanato que tem no domingo, naquela praça, perto da sua casa: olho de Órus, estátua de Ísis, réplica da Esfinge, como enfeite do criado mudo. Ou da mesinha da sala. Ou como peso de papel.
– Ouvir alguém pedir pra vc mostrar um pouquinho daquele movimento que faz assim, com a barriga, quando vc diz que é bailarina do ventre.
– Juntar dinheiro pra pagar workshop. Financiar a passagem no cartão de terceiro p/ fazer o work. Reclamar que ‘tudo tá caro’, mas sair do evento com 1 véu de seda, 1 poil (que vc ainda não sabe como manusear, mas tá na moda), 1 dúzia de DVDs da Randa ou do Ahlam wa Salam (ou metade-metade) e o telefone daquele atelier que expôs uma roupa liiiiiinda e que vc vai encomendar uma igual.
– Sentar numa mesa de bar e discutir por hooooras a apresentação da fulana ou da beltrana, a nova modinha bellydancer, o tirano padrão de qualidade e a mérde desse boteco que não oferece mais narguilé porque agora é proibido.
– Colocar movimentos de dança do ventre em qualquer música. Ou qualquer batuque. Até carimbó inspira.
– Ouvir piada besta, lidar com o recalque de mulher enciumada, se trocar em banheiro de restaurante e ir pra casa com os 50 reais de couvert, rachando o táxi com a amiga (bellydancer também), combinando quais músicas vão dançar na semana que vem.
– Parar de dançar mas conservar o lenço de moedas, a 1ª fita de vídeo…
– Emocionar-se diante de um display de maquiagem. Se for baratinha então, é a glória.

Ter consciência de que essas manias podem até enfraquecer, mas nunca vão sumir por completo. Afinal, uma vez odalisca, sempre odalisca.

Amo muito tudo isso.

10 comentários em “Sina de odalisca

  1. lorymoreira disse:

    Coisa de maluca!

  2. Shaide Halim disse:

    hahahahahaha… eu me livrei de tudo isso, thanks God! Menos da sina de não resistir à uma maquiagem (seja ela baratinha ou não!). Mas isso não é mania de odaliscas, e sim de mulheres em geral, né?
    Mas dei muita risada com o post! Valeu pra relembrar muitas coisas que um dia fizeram parte da minha vida…but…no more! ^-^

    • Vivi disse:

      Sha… Isso não me pertence mais também…Exorcizei um monte de coisa dessa lista. Mas é bom a gente dar risada com o nosso passado dálmata: cheio de manchas!
      (confesso que tenho nóia com cabelo. Prontofalei)

  3. Thaís Fialho disse:

    É verdade mesmo. Faz não sei quanto tempo que eu não danço mais, mas até hoje tenho todo o material. A roupa branca até já amarelou! Hehehehe…
    E cabelo e maquiagem (que nem é mais da baratinha, viciei na tal da MAC) já viraram obsessão. Ah, se eu tivesse todo o make que eu tenho hoje na época que a gente se apresentava…

  4. Ro Salgueiro disse:

    Nossa, me identifiquei to-tal! Menos a parte de parar de dançar.

  5. Lídia disse:

    É mesmo um caminho sem volta. Não tem jeito, até vira-vira tem que botar um passinho de DV sem se dar conta! Olha, o narguile tá proibido desde quando e por quê? Não sabia!

  6. cláudia disse:

    eu A M E I esse texto!!! infelizmente, por motivos de força maior, dei uma parada na dança. mas mandei o link p/ minhas amigas, que imprimiram e leram na aula (que eu fazia). foi ótimo saber que estive presente na aula, de alguma maneira, por isso, obrigada vivi, continue nos presenteando com seus textos inspirados!

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